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“Tomei um ESC e me perdi”


Já namorava há quase quatro anos, tinha grandes projetos de vida a dois, sonhava com uma casinha, quatro cachorros e alguns filhos para encher a casa de alegria e felicidade, sonhava com uma família completa e cheia de sonhos sobre o futuro até os nomes dos filhos já tinha escolhido me sentia um ser realizado e completo.
No meio de bilhões de seres no mundo eu era um escolhido, pois tudo que planejei vinha dando certo, meu futuro estava seguro agora, acreditava eu, a família pronta a ser formada. Quando tudo parecia prosseguir bem aconteceu o inesperado, a pessoa que eu julgava ser a certa se apaixonou por outro, a pessoa que era dona do meu coração escolheu outro coração para amar. Quando tudo corria tão bem eu “tomei um ESC”, “tomei um DEL”, “tomei um X”.
Fui chamado por ela para uma conversa séria e definitiva, não sabia sobre o que se tratava então fui com o coração aberto pensando ser mais uma conversa sobre nossos projetos, mas a decepção foi grande demais, quando ela me disse que não me amava mais, que amava outro coração meu mundo veio abaixo parecia que ele estava todo sobre meus ombros, vi meus sonhos acabarem, meus projetos sumirem, minha família, meus filhos e meus quatro cachorrinhos que eu já amava antes de tê-los desaparecerem.
Aquelas palavras eram como punhaladas no meu coração, era como se estivesse sendo roubado de mim algo que eu tinha conquistado e sonhando há tanto tempo, ou pensava ter conquistado, quando terminei de ouvir todas aquelas palavras me sentia sem chão, vazio de tudo, chorei, discuti tentei convencê-la disse que ela não tinha o direito de acabar com os meus sonhos, mas não teve jeito ela já não me pertencia mais, egoísta no meu amor sofri demais e percebi que tudo que havia projetado para o futuro já não existia.
Agora sem meus sonhos que tanto me animava na vida, sem aquela ansiedade esperando o dia que tudo se realizaria pensei o pior, acabar com tudo não sonhar nunca mais, não planejar nada sobre o amanhã e esperar a vida passar, sendo o ceticismo meu único companheiro.
Meu coração já não suspirava as alegrias de antes, a dor era muito grande e a consciência trazia àquelas palavras sempre a minha mente, quando resolvi dar cabo da minha vida fui me atirar na linha do trem, estava lá esperando, quando a cancela começou a tocar passei por baixo dela e me atirei na frente do trem, ainda escutando o apito da cancela abri os olhos às 06:00 horas da manha suado e percebi que tudo isso não tinha passado de um sonho, ou melhor, de um pesadelo, e me senti aliviado. A minha casinha, meus filhos e meus cachorrinhos não tinham sumido eu podia continuar sonhando com eles, mas percebi que os meus sonhos podem não ser os sonhos da pessoa que amo e vi que no meu egoísmo só pensava na minha felicidade e nos meus projetos realizado, entendi que ela nunca seria feliz se não planejássemos juntos todos os detalhes sobre o nosso amanhã, conversamos, disse que ela poderia colocar os nomes dos filhos, dos cachorros. Então aproveitando o alerta daquele pesadelo procurei mostrar que o mais importante para mim é vê-la feliz porque só assim a minha felicidade será completa!
 Fábio Beltrame
Beltrame
Enviado por Beltrame em 13/09/2007
Código do texto: T650654
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Sobre o autor
Beltrame
São Paulo - São Paulo - Brasil, 41 anos
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