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Mais pessoas falam da própria Internet na Internet

     Ocorre um fenômeno relacional novo na área de comunicação com a facilidade de expressão simplificada sobre a dificuldade de interpretação da mídia utilizada.   Um sistema de imagens no mundo das contas é  fenômeno moderno para uso doméstico. Seria algo como pedágio de eletrodoméstico dentro de casa. Vestido ou nu estamos a sós diante de sistemas pré-definidos. Há o certo e o errado além das escolhas.  É a aplicação do “racionalismo binário” em voga na prática multifuncional. A facilidade (usabilidade) parodia o enciclopedismo atualizado quando a informação ganhou mais importância do que o processo educacional na prática.   Por mais erudito que seja  o consulente usuário desse novo meio informático perceberá o impacto da moda em diálogos informais:
          A -  Show de tópicos.
          B -  Tópicos dos tópicos!
          A -  Putz! Tópicos.
          B -  Ressentimento de outros tópicos.
          C -  Assino em baixo.
          D -  Também.
          E -  Assino em cima.
          F -  Se fosse você não assinava.
Desejo de percepção absoluta na excessiva importância de se colocar no alto nos arrasta enquanto significante até a insignificância. É como a piada do cavaleiro medieval que do alto da montaria é saudado por um camponês dizendo: como vai o insigne andante? Ao que responde o nobre cavaleiro: como vai o insignificante? O computador é o cavaleiro moderno das nossas mentes enfraquecidas pelo desejo das facilidades técnicas. O usuário soberano será sempre o camponês feudal porque receberá nofitificações para atualizações ou super-rápidas vantagens. No discurso segmentado poderá ocorrer o bombardeio sígnico arrasador e profundamente destrutivo como sobrecarga. O paraíso da mente devoradora do ego alheio bombardeado.
            A -  Pontas de plurissignificado...
            B -  O quê?
            A -  Perdeu o diploma do primário?
            B -  Não! Mas posso esquecer que tenho o ensino superior.
Levamos então horas a fio tentando desdobrar se “da” secretaria ou “de” secretaria para colocar pontos nos iis e cortar bem os tts.  Sem manual para escrever “e-mails” como havia para cartas esperamos que alguém salve a conversação em apuros com delicadeza. Momento raro do salvador e da salvação.   Dificilmente alguém quer contrariar a maioria.  A tentativa de se manter no ar com palavras num plano direto, visto que medeia a dimensão do exclusivo entre milhões, para triunfar no retrato é grande. Imagino que o sofrimento de perder uma jogada verbal deve incomodar, ferir, impacientar, provocar sensações duradouras, angústias virtuais e esperamos que fique por aí. Com o teatro virtual em casa a liberdade vigiada mantém o usuário preso nessa linguagem de máquina. Escravizado ao objeto que oferece “e-meio” calculado para êxitos indefinidos. Há bilhões de caminhos e poucos rumos o que nos torna sem virtual, virtuais.
      No fundo quando gastamos nosso tempo diante do computador apreendemos um terreno repleto de novidades. Olimpo moderníssimo e interativo.  O que requer sutilidade sobre as provocações e hiatos da comunicação em liberdade vigiada.  A mesma que exprime complexidade do efeito no tempo indefinido da imagem.
     O que podemos ver é o quanto tudo desperta atenção e os lingüistas estão com as antenas sociais ligadas em miguxês que é o coiné prático do internetês. E sem sombra de duvida a reforma ortográfica ampla e irrestrita...  Ampla e irrestrita?
       A cada dia mais pessoas escrevem na própria Internet sobre o modo como se comportam diante dela na telinha. A supervalorização dessas marcas registradas no memorial da figura humana anima a especulação de um ser perfeito em frente ao enganoso fórum das coisas ruins. Oferta de urso da liberdade de expressão condimentada pelo paradoxo da imperfeição. O erro de máquina a princípio passa a condição de pouca relevância com grande vantagem para qualquer tipo de cálculo.  A consciência em si animada não comete enganos, todos os seus truques são de mágico exímio que nos deixa atônito e sem liberdade plena para dizer aquilo que na verdade não compreendemos. Nada disso. É verdade sufocada pelo medo de ficar pequeno, rasteiro, o que nos levaria dizer "não sei" quando todo mundo sabe tudo? Sobretudo num paraíso de signos desconhecidos. Basta ir à loja comprar, um técnico vem e liga, fácil de usar, não vem com tarja preta. É um misto de ferramenta perfeita de trabalho e o maior passatempo da terra.  Os cabelos brancos provarão o quanto à produção de imagens é superior à criação dos números.
            Resta-nos um obrigado diligente e sistemático.

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Tércio Ricardo Kneip
Enviado por Tércio Ricardo Kneip em 14/09/2007
Reeditado em 30/10/2010
Código do texto: T651952
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Tércio Ricardo Kneip
Santa Vitória do Palmar - Rio Grande do Sul - Brasil, 55 anos
1630 textos (61569 leituras)
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