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DEVASTAÇÃO...CANICULAR!

DEVASTAÇÃO... CANICULAR!
A alvorada se descortinava entre os coqueirais da serra, às suas luzes douradas insinuavam-se entre as ramagens projetando à frente os desenhos arabescos das folhas de pecíolos longos e dos cachos de cilíndricos coquinhos, focalizando-os no piso de gramas verdes ressecadas fazendo uma espécie de arco-íris no rés-do-chão e ajudados pelos restantes pingos de orvalhos da noite que se esvaia.
O vento, enamorado por àquela cena inebriante, passava tímido pelas folhagens qual o zunir do zéfiro, onde, preferia perder forças se chocando com as rochas, do que forcejar contra os coqueiros anões com receio de sufocar, desmanchando, a tela de rara beleza natural, ficando de intermediário entre às luzes da alvorada com às folhas, cachos e o piso gramíneo, ponto final do foco matutino.
Após a alvorada, o Sol se prepara para emergir fazendo aparecer o seu prenúncio de canícula, produto pálido dos seus raios caloríferos, sendo poderoso e, ao mesmo tempo, escravo da sua trajetória diária, secular e seqüente, sabe ele que a única amenidade que pode ceder é o seu aviso do tempo certo da sua alvorada reflexiva da sua força potencial de calor. Em segundos, o sol ganha altura e domina o cimo da serra, seus coqueiros, a grama embaixo, e... A região toda! Seus raios poderosos fazem murchar a vegetação, seca o sereno e desmancha o desenho feito pela sua alvorada, simplesmente, o tornando cegante à uma visão despreparada para percebê-lo, indo mais além, inunda de luz os rios, córregos, vilas, cidades e os vegetais, colocando em direção das suas sombras ocasionais os animais racionais e irracionais.
A passagem do sol não será longa, entretanto, em tempo de estio, será a metade da vida de todos os viventes e semoventes e até dos “milênios”.
Com ele se situando a uma distância quase que imensurável, não terá como evitar os entraves e obstáculos, principalmente das nuvens nimbóticas e das tempestades, bem como, os obstáculos naturais construídos, ou não, pelos homens. Essa deficiência pela localização longínqua, lhe causa um constrangimento cósmico e fugaz, por ter “tudo” e não poder fazer “nada”, no entanto, a sua “mente cósmica” detectara que, num átimo de apenas algumas centenas de anos, o próprio homem vem lhe facilitando usar o total da sua força contra o planeta ínfimo denominado Terra, com isso e, por isso, lá da imensidão, ele vê clareiras abertas nas matas, aonde, continuamente, projeta os seus raios tornando a região desértica, portanto, apta a refletir os seus raios nas circunvizinhanças, dia-a-dia ele vai criando desertos e secando os regatos debilitados pela ambição humana em ceifar as árvores ribeirinhas. Dia virá em que o sol secará todos os rios e até os... Oceanos!
A ação solar não é malévola nem intencional, apenas, cumpre a sua meta que é de irradiar a sua luz e calor, as circunstâncias é que são dolosas e praticadas pelos humanos no afã da destruição da sua própria casa a favor do seu bolso que, também, um dia, acabará queimado junto com o seu portador de quiméricas riquezas sem lastro condizente.
*
... Ufa!...Que calor abrasador!
—Faça como eu, ignore!
—Suando como você está não acredito nessa sua assertiva, para mim, você está apenas usando o que mais gosta, ou seja:
Discordar de tudo e de todos!
—Pode ser, contudo, não me reclamo do que não posso controlar, simplesmente, finjo que está tudo bem.
—Finge! Todavia, se eu lhe dissesse que não estivesse muito quente por aqui, você teria respondido: Está é quente por demais!
—Meu caro amigo Elias, neste nosso mundo de desigualdades patentes e injustas, eu me precavenho e me defendo não acatando, de imediato, toda a informação que me chega aos ouvidos para não ser massificado pela maioria, às vezes, boçal e/ou, interesseira.
—Solimar, você está é “doirando a pílula” de discordância, até o seu nome é um apanhado de controvérsias unindo “Sol com Mar!”.
—Que não fui eu que o coloquei em mim e, sim, os meus pais.
—E, talvez, os seus professores “discordantes maiores”.
—Não adianta me provocar, você sabe que dou valor a nossa amizade e que um discordante inteligente nunca briga, apenas tenta o convencimento do seu ouvinte para trazê-lo para o seu lado de entendimento, às vezes, precoce.
—Nada em você é precoce, meu amigo Solimar, tudo o que fala, diz e discorda é feito de “caso pensado” e amadurecido nos seus neurônios intelectuais, muito mais sapientes do que os meus.
—Pare de “jogar lantejoulas” e “rasgar sedas”, prefiro, desta vez, concordar com você: está, realmente, um calor infernal!
—Parabéns! Você está vindo para o lado certo da situação e da verdade insofismável.
—Eu só discordo quando tenho uma base de sustentação, no presente momento, o Sol, que nos dá a vida, está nos tirando os líquidos do organismo e diminuindo a nossa existência aqui nesta terra quente, resultante dos seus raios, até na alvorada temos mais de 38 graus de temperatura, inclusive, os coqueiros e às árvores fortes e resistentes estão com as suas folhas como se fossem de couve ou alface... Retorcidas!
—Algo tem que ser feito, principalmente levando-se em conta de que quem nos dá a vida é exatamente quem nos está dificultando a existência, ou seja: O nosso Sol!
—Sem querer, novamente, me apresentar a você como um discordante, devo informar-lhe de que o nosso sol não tem culpa do que ele vem nos causando com a sua passagem metódica, diária e de órbita prefixada, na verdade, a culpa de toda essa caloria quase que insuportável é do próprio homem, isolado ou em conjunto, que, diuturnamente, vem destruindo às nossas florestas, principalmente as matas ao longo das nascentes e riachos, e, constantemente,  jogando gás carbônico para os ares mercê dos seus carros e veículos obsoletos ou mal planejados, suas queimadas descontroladas e às fábricas sem os filtros, apropriados.
—Você tem razão Solimar, até o dirigente da maior nação da Terra se recusa a controlar tal difusão de gases carbônicos ao negar de assinar um tratado que prevê tal necessário controle e, quando lhe cobram uma posição a favor do comedimento, responde cinicamente:
“O que é bom para o meu país é bom para o mundo!”
—Esse “dirigente é o “Osama Bin Laden” ou o Saddan Housein”?
—Você está brincando, tão letrado que é, sabe muito bem que eu me refiro a um outro terrorista, igual ou pior do que os que você se referiu.
—Vamos mudar de assunto! Pode haver algum espião por perto, nunca se sabe, não é?
—Cuidado e “caldo de galinha” nunca fizeram mal a ninguém, entretanto, com este calor, até termos precauções ou tomarmos uma sopa pode nos fazer mal, eu gostei da sua sugestão por razão de estar curioso com o seu comportamento social aqui em nossa cidade, vejo que você tem e aparenta ter, quarenta anos de idade, entretanto, às vezes, e não são poucas, você fala para mim sobre épocas passadas entrando em detalhes mínimos como se tivesse participado das “historias” que me conta, os detalhes são tantos que, curioso, procurei em todos os livros alusivos e eles são omissos em tais informações, além disso,  eu o conheço há um ano, não tendo ocorrido nenhuma mudança em sua fisionomia que é sempre jovial e expressiva, até a sua barba não cresce como a dos outros, pois, enquanto me depilo por cinco vezes, noto que você só o faz por uma.
—Meu amigo Elias, você está vendo “goiabas em pés de laranjeiras”, o sol pode lhe ter carcomido os seus neurônios, nem todas às pessoas são iguais e, por isso, talvez por uma questão genética, os meus cabelos cresçam menos, quanto a lhe falar sobre o passado com detalhes, lembre-se de que sou um discordante e, assim, muita das vezes, a minha voluntária discordância me faz aumentar os detalhes do que falo para ter “matéria” para discordar com os outros que, usando às minhas “inovações”, discordem delas, me dando a oportunidade de discutir a favor do que inventei, todavia, sem prejudicar a ninguém.
—Há algo errado com você, está nesta cidade há um ano, não conhecemos ninguém da sua família, não namora nem é dado a farras, gasta dinheiro em profusão alegando ser um policial aposentado que, segundo o “pessoal do banco”, tem uma conta corrente invejável, será que você é um dos espiões daquele dirigente?
(aa.) Sebastião A. BARACHO.
conanbaracho@uol.com.br



Sebastião Antônio Baracho Baracho
Enviado por Sebastião Antônio Baracho Baracho em 15/09/2007
Código do texto: T653412
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Sobre o autor
Sebastião Antônio Baracho Baracho
Coronel Fabriciano - Minas Gerais - Brasil, 80 anos
421 textos (19752 leituras)
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Sebastião Antônio Baracho Baracho