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Algozes?

   Amanhã vou bater ponto no semáforo.
   Meu crachá ninguém quer ver.
   Meus patrões passam de um lado para
   o outro a todo instante, mas sequer me dão
   bom dia, sabe-se lá porque.
   Na maioria das vezes sou pago para afastar-me
   deles, como se eu fosse uma epidemia dizimadora.
   Meus pés estão rachados e encardidos, trabalho e
   moro a céu aberto, água em garrafa "pet" e migalhas
   de pão traduzem meu ticket refeição, sem férias, sem
   folgas, sem descanço, sem nada.
   Sou as costas da humanidade, os pés do nômade em
   pleno deserto, sou o escuro da solidão e voz da rouquidão.
   A verdade, nesse caso, é uma só, sou o seu lado mais sujo,
   pobre e podre, a única diferença é que faço parte de estatísticas
   ditas sociais, mas nem adianta se lavar, já faço parte de
   sua alma. Sou o momento silencioso do seu pensar, tão improdutivo
   quanto. Sou o seu olhar atravessado e o parêntese que
   interrompe seu texto, assim como na vida existem pessoas metidas
   a juízes, eu sou o próprio "narciso", meu nome é esquecimento de
   sobrenome social, mas costumam-me chamar de "negrinho".
   E você, prefere me chamar como?
P
Enviado por P em 16/09/2007
Reeditado em 16/09/2007
Código do texto: T654834

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Sobre o autor
P
Itaparica - Bahia - Brasil, 32 anos
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(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 17/08/17 09:17)
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