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VIRTUALIDADE, DOENÇA REAL

Recentemente, escrevi sobre o efeito das comunidades virtuais sobre o ser humano.
Hoje, mal acordo, me deparo com uma notícia amplamente divulgada nos jornais e publicada originalmente, no jornal "Beijing News": um chinês de 30 anos de idade, morreu do coração, após ter passado três dias seguidos jogando on line, em um cibercafé.
Segundo os médicos, a possível causa da morte foi uma afecção cardíaca provocada pela quantidade excessiva de horas gastas em frente ao computador.
Ainda na notícia, um dado alarmante: na China, a dependência da internet, especialmente entre os jovens, se transformou em um grande problema para o Governo. O país possui 163 milhões de internautas, batido em número apenas pelos Estados Unidos.
Para tentar controlar a situação, o Governo chinês proibiu a abertura de novos cibercafés e criou vários centros de "desintoxicação" para viciados em internet.
Isso cada vez mais me assegura que existem sim, doenças reais causadas pela virtualidade.
As pessoas são, a cada dia, bombardeadas com tantas notícias desanimadoras no mundo real, que a fuga tende a ser um mundo onde pelo menos, por um período de tempo, as pessoas "controlam" suas próprias vidas, isto é claro, quando a conexão não cai, deixando o internauta em crises de desespero.
Não falo só das comunidades virtuais, falo também dos jogos on line. Ás vezes, pensar que o adolescente está mais seguro em casa do que na hora, só porque ele fica jogando on line com os amigos, não é a melhor solução, ou talvez, não seja - definitivamente - A solução.
Semana retrasada, em uma matéria do "Fantástico", na TV Globo, vimos uma entrevista com uma mãe desesperada, porque seu filho adolescente já não tinha vida própria, mas sim, apenas virtual, jogando on line tanto tempo que, ao ser confrontado e  retirado da web, foi tomado por tal crise de desespero e abstinência, que com socos, abriu buracos na porta do seu quarto.
Bill Gates, o fundador da Microsoft, só permite que seus filhos fiquem conectados na net pelo período máximo de quarenta e cinco minutos por dia.
Por que será?
Será que é porque ele conhece o poder destrutivo do gigante que existe por trás dos softwares que abocanham não só a vida social das pessoas, mas às vezes, até a própria alma?
Devemos nos lembrar, é lógico, que existe limite para tudo nessa vida, até para o amor.
Quando o amor passa dos limites, chega à beira da obsessão e da loucura...nada em excesso faz bem.
Aos pais cabe impor estes limites, não por rigor, mas por amor.
O que leva um homem sadio, robusto, de 30 anos de idade, a passar setenta e duas horas conectado na internet, jogando?
Compulsão, uma doença real, que encontrou na virtualidade um meio adequado de cultura.
Quanto mais humanos doentes emocionalmente, que encontram na net sua válvula de escape para os mais diversos desajustes, continuarem conectados, mais notícias dessas leremos, a cada dia?
Não é só o peso, o sexo, o fumo, ou o que quer que seja, praticado em excesso, que mata.
É a falta de intervenção. É a falta de posicionamento. Muitos têm feito tanto em outras áreas, mas existe uma faceta na virtualidade que precisa ser revista e com urgência.
Quantos mais sucumbirão?
O futuro nos dirá.
Cláudia Banegas
Enviado por Cláudia Banegas em 17/09/2007
Reeditado em 29/09/2007
Código do texto: T655850

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Sobre a autora
Cláudia Banegas
São Gonçalo - Rio de Janeiro - Brasil, 51 anos
248 textos (16230 leituras)
7 e-livros (635 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 16/10/17 21:59)
Cláudia Banegas