Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

CURIOSIDADE CRUCIAL





Pensar é um exercício. Assim como os músculos, o cérebro deve estar em constante tenência, caso contrário, por falta de ação ou energia, irrompe a atrofia, que pode levar à “ablepsia cultural”.  Aos vassalos do tirano hábito de escrever (escravos do pensar, como define Joaquim Moncks), a tríade imposta por essa extravagância, ou fixação, segue a ordem: ler – pensar – escrever. Associado que sou dessa corrente, não raras vezes me deparo com curiosidades; a abelhudice  é o antídoto para a “flebostasia de conhecimentos”. Vai daí, cheguei nesta Curiosidade Crucial, do que, tem por título este texto.
Pesquisava, em verdade, para outro artigo, quando me deparei  com a lei 9457, de 1977, que trata da não utilização da cruz suástica, usada pelos nazistas. Pronto! Me fui à lá cria dar vazão a esta nova curiosidade. Eis que encontro 26 nomes de cruzes. A gamada dextrógira (ou suástica), surgiu na Alemanha, por volta de 1905, utilizada por grupos anti-semitas, sendo adotada pelo Partido Nacional Socialista e por Hitler. Para os cristãos latinos, a Cruz Latina é a mais utilizada, na forma simples ou como crucifixo; muito conhecidas nossas são as Patriarcal, ou de Lorena (Missões) e a de Malta (Descobrimentos). A curiosidade acima estampada está no fato do simbolismo e não das razões da lei. A 9457 precisa estar sempre em evidência, pois os fatos estigmatizados com o símbolos suásticos são muito recentes, além de terríveis. A morte é, inexoravelmente, lembrada com a simples visão daquela cruz, pelo holocausto, pela guerra. No rol daquelas 26, algumas poderiam ser ancoradas à episódios igualmente sangrentos. Lendo-se sobre as cruzadas, saberemos que de 1096 até 1291, oito daquelas expedições militares foram realizadas para socorrerem os cristãos, oprimidos  pelos turcos, e libertar os lugares santos. Todas as expedições levavam em seus estandartes o desenho de alguma cruz. Tão intensos foram os lastros de sangue deixados por aquelas cruzes, que sete séculos depois, o papa João Paulo II pediu perdão à humanidade pelos excessos então cometidos. E não se tem notícias de que as outras 25 cruzes, na relação encontrada, tenham lei que as impeçam de serem usadas. Muitos outros símbolos, utilizados livremente, em que a barbárie é parte da história, poderiam ser arrolados. Cruzadas a foice (camponeses) e o martelo (operários), temos o emblema da antiga URSS e dos partidos comunistas. Novamente retrato apenas o aspecto simbólico, não o histórico. Contudo, não deixa de ser uma verdadeira Curiosidade Crucial que só uma cruz ,no Brasil, tenha sua proibição legal de utilização.
 
Cláudio Pinto de Sá
Enviado por Cláudio Pinto de Sá em 17/09/2007
Código do texto: T656823
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Cláudio Pinto de Sá
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 70 anos
163 textos (23589 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 20/08/17 16:41)
Cláudio Pinto de Sá