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Agenor

Mulher realmente pode ser intrometida, é da sua natureza, fofocam uma sobre a outra, procuram falhas imperceptíveis e fazem comentários maliciosos de suas observações.
- Você viu a Lurdes? Saiu com o Eduardo mesmo estando com o Roberto. Mas é muito descarada mesmo.
E quando encontra a Lurdes.
- E aí Lurdinha pegou o Edu, hein? Muito bem ele é muito gostoso e também, é bom para o Roberto aprender a valorizar a mulher que tem. Agora mudando de assunto você viu as roupas que a Marcia anda usando? Será que não percebe que está gorda?
É a maneira delas, não conseguem evitar, tem que falar, mesmo estando erradas. E nem pense em se meter, seu palpite ou opinião nunca é importante e sempre será distorcido.
- A Selma vive fazendo escova naquele cabelo está cada vez pior, você não acha? Pergunta ao marido.
- Não, acho que está até bonito, destaca o rosto dela. – è justamente o tipo de opinião que elas não querem ouvir.
- Você está querendo se engraçar com ela seu safado? Pode dormir no sofá mesmo, assim você sonha com a Selma, cachorro.
Entendeu como funciona?
Mas agora quando um homem cisma com algo ou alguém, nada pode parar sua suspeita.
- O que está procurando achar olhado para rua, Agenor? –Perguntou Lucélia ao marido enquanto arrumava a cama.
- O novo vizinho, aquele que mudou faz duas semanas. – Respondeu o marido que estava na janela do quarto escondido atrás da cortina.
- O que tem o vizinho homem? Deixa disso e vem deitar.
- Esse cara é suspeito Lú. Muito simpático, conversador, cara de bobinho, acho que está escondendo algo. Tem merda aí. – Disse desligando o abajur e se posicionando para dormir.
Com o passar do tempo Agenor foi piorando, vigiava mais e mais o Carlos, e família. Não sabia se existia alguma coisa acontecendo, mas desconfiava e muito.
- Agenor, você sabe que o Carlos é casado, tem filhos e trabalha todo dia? Deixa disso Agenor. É um bom homem. – novamente a sua mulher o incomodando com detalhes.
- É casado há dez anos com Helena, se conheceram em Juriti. Tem dois filhos, Joana com 7 anos e Feliciano com 05 anos. Feliciano, você acredita nisto, quem põe um nome deste no filho não pode ser normal. Trabalha na Estrada LTDA. Uma empresa de artigos de borracha há 15 anos como gerente comercial. - Respondeu Agenor. – Só que tem uma rotatividade de pessoas nesta casa muito alto, e o nível de ostentação não bate com os recibos que encontrei no lixo.
- Caramba Agenor, você precisa de um médico, isso já é obsessão. E seu pai fez alguma coisa de anormal durante a vida dele?
- Como assim mulher? Não entendi sua pergunta. Não vi nenhum sentido. - Disse Agenor irritado.
- Ué, estou seguindo teu raciocínio, afinal uma pessoa que põe o nome no filho de Agenor...
- Foi uma homenagem ao meu Avô, ta legal? E agora me deixa em paz. – Disse irritado Agenor.
- Bom pelo menos sei que é de família. – respondeu a mulher virando e entrando em casa.
Depois de seis meses, Agenor já estava quase desistindo quando vê alguém chegar de moto no vizinho.
Foi à janela e ficou observando. Nada acontecia como sempre, ele já iria deixar sua posição quando escutou um barulho e voltou sua atenção para lá. Observou vultos por trás das cortinas da sala de Carlos.
Imaginou que um dos vultos fosse do Carlos, pois, era mais alto e aparentava estar segurando outra pessoa pelo pescoço, pensou então que fosse um estrangulamento, jogando o corpo ao chão, pegou algo e aparentemente ou esfaqueava ou esquartejava a vítima.
Logo após começou uma grande movimentação na casa, que terminou como vizinho saindo com o carro.
Agenor disparou para a garagem e saiu com o carro em perseguição, não deixando a Lúcelia lhe contar que Helena havia ligado.
Agenor viu o carro parado em um terreno baldio e Carlos enterrando um saco numa cova rasa.
Quando Carlos concluiu o serviço, saiu com o carro e voltou para casa. Agenor, demorando-se um pouco para não levantar suspeitas chegou quase 15 minutos depois, e rapidamente pegou o telefone e ligou para polícia, denunciando o assassinato.
Lúcelia desceu, pois havia acabado de tomar banho e perguntou ao Agenor:
- Que correria é esta? Que foi que aconteceu? Nem levou o celular para poder te localizar.
- Eu te falei mulher, você não acreditou em mim. O Carlos matou uma pessoa e enterrou naquele terreno baldio a duas quadras daqui. Eu vi tudo e acabei de chamar a polícia daqui a pouco eles estarão aqui para prendê-lo.
- Você está louco homem, se não estivesse saído correndo eu teria de falado. O gato deles morreu, pulou e caiu em um vaso que estava partido, foi sangue para todo o lado. Eles tiveram que limpar tudo, lavar e a Helena me ligou perguntando se sabia aonde poderia enterrá-lo. Então eu me lembrei daquele terreno baldio à exatamente duas quadras daqui. – Disse Lúcelia muito irritada, enquanto as sirenes da polícia chegava na rua parando em frente da casa de Carlos e Helena.
Agenor que ficará completamente desnorteado teve que sair em disparada para consertar o estrago, pois sua mulher lhe acordou de seu estado catatônico.
- Vai homem, corre lá para explicar a cagada que você fez. - Gritou Lúcelia.
Agenor chegou no momento que o Carlos abria o portão para falar com o policial.
- Seu oficial, espere; me desculpe interromper, mas é um engano. – Disse esbaforido.
- E quem é você que se intromete aonde não é chamado? Saia daqui antes que lhe prenda. – Disse o tenente acenando para que o retirassem.
- Sou eu quem fez a denúncia. Na verdade é um engano. – E Agenor explicou tudo na frente de Carlos, cada vez mais envergonhado.
- Eu deveria lhe prender, nem mulher faz isso, ficar futricando a vida dos outros, vai arrumar um emprego. O Senhor me desculpe, quer prestar queixa contra esse maluco.
- Não, pode deixar, não compensa arrumar tanta confusão, ele já passou vergonha demais.
A polícia se retirou e Agenor virou para Carlos e disse:
- Me desculpe, eu não sei onde estava com a cabeça, devia ter escutado minha mulher, espero que me perdoe e aceite jantar amanhã em casa. – Disse estendendo a mão para Carlos.
- Sabe Agenor, na verdade, o tanto que você me olhava e com o acontecido agora, me sinto bem mais aliviado, e aceito o jantar de desculpas. – Disse apertando a mão de Agenor.
- Que bom, mas por que aliviado?
- Estava achando que você fosse gay e estivesse interessado em mim. – Disse Carlos segurando a risada, mas não agüentando começou a gargalhar e Agenor o acompanhou.
Se despediram e cada um entrou em sua casa.
- O que ele queria? – Disse Helena. – Já escondi toda a droga.
- Me pedir desculpas pelo ocorrido e nos convidar para jantar. E o corpo daquele viciado que nunca pagava? – perguntou Carlos
- Está lá no porão devemos usá-lo para servir de exemplo. – respondeu Helena.
É realmente melhor deixar para elas a função de bisbilhotar, afinal nos podemos ir muito longe nesta função.
Marco A Gaspar
Enviado por Marco A Gaspar em 18/09/2007
Reeditado em 28/09/2007
Código do texto: T657222

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Sobre o autor
Marco A Gaspar
Guarulhos - São Paulo - Brasil, 45 anos
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Marco A Gaspar