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Simples Saudade

Eu sinto saudades e daí?
Não posso mentir ou ocultar meus sentimentos, e logo este que constatemente sinto à medida que as águas da vida vão rolando embaixo desta ponte que estou construindo.
Quem nunca sentiu saudades? Este sim, pode ser o único a me combater. Os demais, por favor alinhem-se ao meu lado e assumam a sua postura de saudosista.
 
Sinto tantas saudades, quanto é abundante o ar que respiro.
Sinto saudadades de tudo, da primeira professora, da namoradinha da rua, das brincadeiras, daquela pessoa que mora longe, das risadas e brigas entre irmãos, e por aí mundo a fora.
Em muitos casos, me pego ouvindo uma música de tempos, e começa a funcionar o velho projetor do passado... Respiro fundo, e fico com o olhar distante...
Tentando me agarrar a uma ponta desta corda e quem sabe ganhar como recompensa, a possibilidade de poder viver tudo novamente.
Não que esteja pensando em mudar tudo, ou viver de maneira diferente... nada disto, quero apenas poder sorrir com coisas que julguei sem valor.
 
A experiência nisso já é tanta, que me pego confundindo sentimentos... ou quem sabe, criando vários outros tipos de saudade...
 
Saudade normal - aquela falta que sentimos de algo que já passou, que tivemos a chance de presenciar, e por algum motivo se foi... essa saudade, no meu caso, vem sempre acompanhada de um sorriso, um suspiro e umas lembranças bobas, mas que sentimos muita falta.
 
Saudade do que ainda não veio - sentimento de falta de algo que está por vir, pode ser considerada anseio? não!.
Diferente do anseio, que em muitos casos cai no dito: 'O Apressado come cru!', este tipo de saudade sempre será coisa boa. Geralmente vem nos momentos tristes, de períodos escassos de felicidade, mas com a certeza de que a primavera brotará logo em breve, e a espera por tal já é tão boa, quanto a presença do futuro esplendoroso.
Também sentimos este tipo de saudade, quando estamos na iminência de partir (mudar), e mesmo ainda nada concretizado, já sentimos saudades daquilo que ainda não aconteceu.
Em poucas palavras: Sentimos saudades daquilo que ainda não é, mas com certeza será!
 
Saudade do que poderia ter sido -  talvez o pior tipo de saudade, já que sempre vem acompanhada da culpa, do arrependimento, da raiva.
Prefiro ficar oco de sentimentos, vazio tal qual  um ventre infértil. Sentir saudade de algo que poderia ter sido, diferente ou não, é horrível. Imaginamos o mundo e nossas vidas, caso tivessemos dito aquele SIM ao invés do NÃO,  se tivessemos engolido nosso orgulho e mudado nossa atitude, se tivessemos seguido em frente ao invés de anbadonar o barco...
O que mais dói nesse tipo de saudade, é saber, ou melhor não saber, o que poderia ter mudado.
 
Se esquecermos a existência do últimpo tipo se saudade, sentimos o quão importante é sua presença em nosso ser, sentir saudades faz nos sentir vivos...
Nos faz poder gritar a plenos pulmões, que apesar de sentir falta, valeu muito a pena ter vivido até aqui. E que por mas que o mundo tenha dado suas voltas, e nesse tempo as coisas mudaram, seguiram caminhos distintos... tudo foi extremamente válido.
 
Se pudesse nomear os muitos degraus da vida, um deles se chamaria saudade... sei que a sua presença é dificil e melancólica, mas sem esta não seriamos tão fortes e maduros.
 
"Porque metade de mim é partida e a outra saudade." (Oswaldo Montenegro).
diley rodrigues
Enviado por diley rodrigues em 18/09/2007
Código do texto: T657446

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Sobre o autor
diley rodrigues
Manaus - Amazonas - Brasil, 29 anos
17 textos (927 leituras)
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diley rodrigues