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A sabedoria é limitada

Estou perdido em minha solidão. É como se os outros seres andantes fossem apenas objetos cortantes que se aproximam de mim num vai e vem insistente. Nossas vozes não são conhecidas, nossos quereres não são os mesmos, nossos deuses não são iguais.

Tudo em mim parece morto. Minhas pernas não me levam a lugar algum, meu dinheiro não compra nada, meu corpo é uma massa disforme que não serve para escultura. Assim estou eu.

Estou pasmo com tamanha audácia. Deixei-me assim por pura conveniência. Estou como aquela borboleta que pousou na cabeça do cão, apesar dos latidos frenéticos e selvagens. O travesseiro onde escondo minha cabeça já não me dá segurança, às vezes sinto que minhas idéias estão sem um ponto de apoio. Estou voando em círculos para ver se fico tonto. O centro da terra é o meu norte,  o buraco da lua é o meu limite e tudo mais é morte.
 
Já me perguntaram se sou poeta, respondi que sou louco. Já me perguntaram se sou um deus, respondi que sou Tupã. Já me perguntaram se sou amante, respondi que sou amado. Todos os dias me perguntam todas as coisas, mas a pergunta que faço, ninguém responde. E que pergunta seria essa? Muito provavelmente eu não tenha feito a indagação para as pessoas certas, se é que elas existem de fato e de direito. Este é um ato falho de minha parte.

Nunca servi de guia, nunca fui bengala. Nem cachorro de cego eu tive. Ando de um lado para outro como se fosse um pêndulo. Na rua onde moro sou apenas mais um, na escola que estudei, fui professor. Minha mulher tem nome de flor, quando posso fico brincando: bem-me-quer, mal-me-quer, só que ela não pode saber. Como conheço todas as pétalas já sei, de antemão, o que vai dar.

Você já percebeu que de sério meu texto não tem nada e nem era para ter. Dizem que pau que nasce torto morre torto, não somos pau, portanto podemos nos endireitar. Dizem que vara de marmelo é que é boa pra bater em menino. Dizem que quem muito fala, pouco escuta. Dizem até que Nietzsche chorou!

A vida é mesmo uma coisa boa. Dizem que o julgamento e a execução de Sócrates, foram os momentos mais importantes de sua vida. O mais engraçado é que ele podia ter evitado sua morte, mas sempre falava: “só sei que nada sei”. Agora vou fazer a minha pergunta: e você, o que sabe de nós?
Pedro Cardoso DF
Enviado por Pedro Cardoso DF em 19/09/2007
Reeditado em 20/11/2007
Código do texto: T659503
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Pedro Cardoso DF
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 69 anos
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Pedro Cardoso DF