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Folha desentranhada de um diário

Ela chegou primeiro... Cheia de lembranças cruzou a ponte de tantos reencontros sem perceber que não deu curso ao rio do sentimento. Fragmentada, perdia-se nas margens do medo e da alienação. Com movimentos agitados, continha a ansiedade de prever o beijo de tanto tempo, os braços aquecendo seu corpo esquecido de brasas, o gosto, o arrepio... Mas o encontro foi cordial como são as distâncias. Talvez um tropeço denunciasse uma palpitação. Talvez apenas um descuido...
As horas passaram em olhares dispersos e num diálogo cotidiano. Queria gritar o amor, trair as próprias traições, porém não poderia alinhavar o tempo perdido em conjugações ausentes. Não poderia declarar os sonhos como realidades se não os imaginaram juntos. Não poderia continuar com as reticências nas lacunas que deixou de preencher. Não poderia ser o que renunciou tantas vezes...
O que ele queria ficou encoberto no silêncio de alguns gestos... O que não desejava nas entrelinhas de algumas observações.
A tarde caindo e o frio dominando o corpo. Felicidade, expectativa, riso, idas, carinho, ontem... Palavras perdidas tentando compor uma oração amorosa, perdidas na inconstância dos atos, encontradas numa breve despedida marcada de cheiros, sabores e ecos...
Helena Sut
Enviado por Helena Sut em 01/11/2005
Código do texto: T65988
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Sobre a autora
Helena Sut
Curitiba - Paraná - Brasil, 47 anos
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2 áudios (1258 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/12/16 06:17)
Helena Sut

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