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INOCÊNCIA

O menino era o verdadeiro tramela. Diziam alguns parentes que tinha saído igualzinho a sua mãe. Na verdade foi a língua de chan-chan que o menino devorou quando tinha uns dois anos, tendo em vista que não pronunciava nenhum murmuro ou som típicos da idade.  Essa é uma simpatia realizada em Minas Gerais, no qual a língua da ave tagarela é dada aos candidatos a gárrulo.

Certa vez, quando tinha quatro anos de idade, chamou a sua vovó aos prantos, afirmando veemente que lua estava doente. A doce macróbia, só entendeu quando o garoto disse que o satélite tinha perdido um pedaço, porque o botoque de algum garoto arrancara  e ele somente notara meses depois devido a distancia entre a terra e a lua.  O tio lhe falhou que a terra e a lua são distantes e que não era a mesma da casa dele a escola.

Diz que o garoto adorava acompanhar a vovó as missas de domingo, e que até no momento da comunhão não desgrudava.  Entretanto, começara a dar trabalho, querendo também participar do rito sagrado de comunhão. Assim, sempre questionava a vovó porque ele não podia receber a hóstia sagrada. Às vezes berrava, noutras esperneava, sem rodeios em frente a todo mundo na pequena igreja mineira.  Para solucionar o problema, vovó teve a brilhante idéia de comprar uma bala e entregar para o ministro da eucaristia. Quando o garoto fosse ao altar era só colocá-la na sua boca e pronto, adeus problema.

Aquele seria um domingo diferente, o ministro da eucaristia estava com a bala. O menino aproximou do altar e receber a “hóstia consagrada”, e retornou para o banco da igreja junto a sua doce vovó.  Aos prantos, começara a puxar a vovó pelo vestido.
- Que foi meu filho? Agora não pode falar, tem que ficar quieto! Disse a vovó ao tramela.
- Não vovó é rápido, a minha é de abacaxi e sua? Disparou o gárrulo mirim.
Osório Antonio da Cunha
Enviado por Osório Antonio da Cunha em 20/09/2007
Código do texto: T660437

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Sobre o autor
Osório Antonio da Cunha
Goiânia - Goiás - Brasil, 41 anos
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Osório Antonio da Cunha