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VISTAMOS A CARAPUÇA PRIMEIRAMENTE EM NÓS.

É incrível como algumas coisas que vemos, ouvimos, ou lemos nos caem nas justas medidas, parecendo que foram confeccionadas a propósito para nós. Mais incrível ainda é que, os modelos que nos ficam melhores ajustados são aqueles que naturalmente reprovamos nos outros e que muito raramente lhos admitimos em nós.

Assim, foi que após a leitura de um texto deparei-me de maneira frontal com a real maneira de ser Gente, nalguns momentos.

Que o Homem é um ser sociável – é tese notória, e amplamente divulgada. Não somente porque há uma dependência mútua em prol da sobrevivência, mas ainda, porque há influência recíproca, na maneira de como se convive, e com aquilo que se faz. Conquanto, percebe-se que tanto os hábitos salutares quanto os danosos, lamentavelmente, são automaticamente incorporados ao cotidiano.

Todavia, os hábitos daninhos, mazelas da sociedade são os mais congregados e efetivamente levados a efeito nas interações, talvez, de maneira involuntária. Entretanto, reconhecidos quando é o outro quem os pratica - Entenda-se sociedade apenas como meio humano de integração de indivíduos, e nenhuma especificamente.

Tomando-se, como exemplo, o burburinho que tanto aborrece antes ou durante um evento, seja uma palestra, uma conferência ou uma apresentação artística em que o silêncio se faz necessário. O barulho incomoda aos ouvintes, sendo uma postura de desrespeito para com aquele que se apresenta – Mas, quantas vezes fomos os primeiros a incitar e, ou a ininiciá-lo!

As sutis indelicadezas no convívio social, no dia-a-dia, se avolumam:
O gosto pelo gênero musical, a crença religiosa e ideologias políticas, são inclinações individuais que devem ser respeitadas – A tolerância, no entanto, deveria ser o tema mais rotineiro nas conversações.

Em se falando em música; inclua-se, os aparatos tecnológicos - televisão e computadores... A vaidade é algo que se salienta de maneira a toldar a conveniência das coisas, nos transfigura. No recebimento de amigos, que sejam eles o centro das atenções. É desagradável quando lhes subtraímos o brilho, dos amigos e do reencontro, impondo-lhes, vaidosos, os nossos gostos e fazendo aparecer, mais que esses, as nossas aquisições materiais.

São inúmeros os maus hábitos cultivados – Que se chaga a ser mais que mal educados, e se poderia mesmo titular muitos de nós como pessoas ingratas.

Comumente: - Falamos mais que ouvimos e, ou intercalamos as conversas do outro sem que esse conclua o pensamento; se se trata de uma palestra em geral ergue-se a platéia, quase que em peso, e ruidosamente sem dar chances a real conclusão do evento. O desinteresse pelos lembretes finais e agradecimentos aos que fizeram a grandiosidade do espetáculo é realmente algo comum, esvaziam-se os auditórios muito antes do apagar das luzes.

A essa força daninha do mau hábito nos acostumamos. Sendo imprescindível que se trave luta ferrenha contra essa nossa tendência. Visto que à medida que somos influenciados, em conseqüência, passamos, também, a influenciar.

O saber ouvir e calar; mostrar sabedoria ante as intolerâncias; relevar as ofensas e ingratidões; construir sem alardes; não ser conivente com mentiras e corrupções... São tidos como hábitos de difícil assimilação, por serem vistos como paradoxos, não obstante, são disposições relevantes e de distinção.

Vistamos a carapuça primeiramente em nós, em nos servindo, busquemos as reformas necessárias – Destruindo os modelos extravagantes e egoísticos. Amoldemo-nos à sensibilidade, à delicadeza e a gratidão.
Cláudia Célia Lima do Nascimento
Enviado por Cláudia Célia Lima do Nascimento em 20/09/2007
Reeditado em 24/09/2007
Código do texto: T660999

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Sobre a autora
Cláudia Célia Lima do Nascimento
Luziânia - Goiás - Brasil, 52 anos
486 textos (16559 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 22/10/17 17:45)
Cláudia Célia Lima do Nascimento