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Baton Na Cueca

                                     


Há coisas que não tem explicação. O sujeito chegar em casa depois de uma noite “árdua de trabalho”, com batom na cueca é uma delas.
Não se trata de pré-julgamento nem de desprestigiar o amplo direito defesa.
A máxima universal de que “todo homem é inocente até prova em contrario” continua em pleno vigor.
Mas tem evidências que são tão gritantes e apontam de forma tão consistente para os fatos que tentar contorná-las e ajeitá-las à “novas versões” acaba por se converter em exercícios de conturcionismo intelectual e uma aposta azarona na letargia e no retardamento da opinião publica.
Há quem ainda acredite no ditado, “a voz do povo é voz de Deus”. Há também os crêem que “quem conta um conto aumenta um ponto”. Tem ainda os que juram que “onde há fumaça há fogo”.
Precisamos esperar, a vezes  com paciência de Jô, que a “verdade jurídica” apareça e traga um pouco de conforto a estas almas angustiadas que vagam pelas cidades das “instituições decaídas e descrentes”.
O problema é que a “senhora de olhos vendados, espada sem fio numa das mãos e balança desregulada na outra” tem nos decepcionado e nos frustrado dentro de uma rotina exasperante.
A dificuldade que a justiça tem de criar convicção jurídica quando o suspeito goza de títulos e poder é alguma coisa que merece discussões intensas por parte da sociedade “que paga e vota”.
Não me lembro de nenhum caso importante de crime de colarinho branco no Brasil que tenha sido resolvido por uma iniciativa livre e espontânea da justiça.
Esta senhora elegante tem que ser provocada às ultimas conseqüências pelo jornalismo investigativo e de opinião para que arrisque o seu status-quo num confronto direto contra estas quadrilhas de engravatados que vem assaltando o erário publico e liquidando com a consciência cívica.
Sei que escrever artigos e crônicas envolve riscos, mas a vida como um todo é um risco. A outra opção é arriscar a nossa consciência caindo no jornalismo medíocre que afronta a inteligência do leitor e desmerece sua capacidade de julgamento.
            É muito provável que seja mais fácil me punir judicialmente pelo exercício do direito de opinião do que levar estes corsários modernos a responder diante dos tribunais pelo assalto ao erário.
Este é um risco que temos que  correr em contra partida a um julgamento maior que com certeza nossa consciência sofrerá um dia.
O que se vê em Brasília é algo que já vimos num passado próximo recente. Parte do congresso e do governo se rendendo pelos seus interesses e ganhos enquanto aguarda e torce para que a morosidade e ineficiência da justiça e da nobre casa dos representes do povo mais uma vez se confirme.
Enquanto a verdade jurídica é assada em forno frio, a verdade das demandas publicas rebate como um chicote de desprezo e descaso para com o cidadão que é espoliado pela derrama tributária e pelo assalto ao erário.
Por outro lado o fato de uma denuncia ter cunho político não significa que as suspeitas em questão não devam ser julgadas ou que sejam forjadas.
O problema é que estes políticos se calam e se omitem até a ultima hora se negando a abrir mão de votos e apoios dos suspeitos e seus correligionários.
O preço da omissão da sociedade organizada é a perpetuação de crimes contra o erário de forma tão descarada  que os rastros podem ser seguidos com facilidade pelos promotores e pela policia federal se eles  tiverem a disposição e a coragem para tal.
As denúncias não investigadas e não aplicação de responsabilidade consolida estas escolas ultrapassadas de políticos oportunistas, aventureiros e fisiológicos, cemitério da consciência publica e da cidadania.

JOÃO DRUMMOND
João Drummond
Enviado por João Drummond em 21/09/2007
Reeditado em 26/09/2007
Código do texto: T662488
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Sobre o autor
João Drummond
Sete Lagoas - Minas Gerais - Brasil, 64 anos
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João Drummond