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CPMF

Eu ainda engatinhava em primeiras frases mal formadas, mas já sabia que mentira tinha perna curta. Mentiram para mim, fui enganado, e só minhas pernas é que ficaram curtas. Exemplo é, os arroubos governamentais, criados para nos embutir uma Contribuição Para Maquiar Falcatruas, tem pernas longas, a ponto de nos passar uma rasteira em cento e oitenta milhões de pessoas.
Há vinte e cinco anos não temos ninguém condenado em crimes de colarinho branco. Parece até um país perfeito, destes mostrados nos programas políticos, pré-eleições. Todos os partidos são decentes, as necessidades básicas são sanadas, num estalar de dedos. Há verbas para tudo. Vão aumentar o salário mínimo, valorizar os funcionários públicos, os professores, primar pela educação, pela saúde, reformar a previdência, reforma política, reforma tributaria, etc, etc, etc, mais um etc e tal. O problema, talvez, seja a urna, depois dela precisamos encarar a realidade. Sem direito a reclamar.
Um lavrador faminto tenta falar com nosso popular presidente, mas é arrancado no planalto, numa truculência digna de homens das cavernas. Não se é permitido tratar nem um animal, daquela forma, cadê os direitos humanos numa hora dessa? Vão me dizer que um pobre coitado faminto, não é humano?  A dignidade do povo escorreu pelos labirintos fétidos dos esgotos. O Palácio do Planalto é do povo. Porque somos impedidos de entrar lá? Tem alguém capaz de me explicar esta façanha, sem subestimar minha ignorância?
O que é mais cruel, Exmo. Senhor Todo Poderoso do Planalto, matar o povo de fome, ou matar, como esmagando um inseto, com a truculência com qual enxota um eleitor na explanada?
Numa entrevista, um deputado alienígena, só pode ser de outro mundo, disse que a CPMF é um imposto bom, evita sonegação fiscal e combate a lavagem de dinheiro. Só para citar um exemplo, ficaremos apenas no caso mensalão. Malas e mais malas de dinheiro saíram pela porta da frente de bancos em Brasília, nada foi feito. Caro alien deputado, não nos oporíamos á pagar impostos, pois ao contrario de muitos políticos, para pegar leve, o povo não tem pretensão de ser um fora da lei, desde que seus fins fossem para as áreas antes propostas.
Se a saúde fosse o destino deste imposto, eu apoiaria até o aumento desta alíquota, mais do que nunca, nosso país precisa de investimentos pesados na saúde, uma energia tal qual aquela de prender um eleitor, em pleno direito lhe assegurado pela democracia, de protestar. Mais que saúde para o povo, precisamos de saúde para o país. O Brasil está com a morte encefálica decretada, desenganado pelos médicos, respirando com ajuda de aparelhos e com o caixão encomendado. Sem contar com a letargia moral que tomou conta de nossa cúpula administrativa de uma forma nunca antes vista, talvez na historia desta galáxia. Até por que se houver caso parecido fora da terra, podem parar com esta mania de encontrar vida fora da terra.
Quem sabe, com aumento da alíquota, poderíamos ter verba para a produção de um filme, temos atores de primeira, dignos de Oscar, com roteiros apimentados, gostosas nuas na playboy, denuncias, corrupções, policiais, bandidos, falta o mocinho, nada que um pouco de ficção não resolva, afinal estamos no Brasil, e mudar o nome do país para Ficção Cientifica ou Hollywood que não faria a menor diferença, tem coisas que só ocorrem no Brasil, ou no cinema, no nosso caso é o bem que sempre perde. Um roteiro pronto para filmar. Um homem perseguido pelas massas chora copiosamente escorado nos chifres da esposa, e se conforta nos braços da amante. Parece novela mexicana com recortes de o rei do gado.
Nem a vitamina da fruta cítrica, estanca a febre purulenta que vai putrefando o país, do Oiapoque ao Chuí. Falta de capacidade de um povo nem tão heróico, que já não brada, devorado pelos vermes. Estamos á espera de um milagre, de um herói mascarado que vai nos livrar desta patotada, e enfim vivermos felizes para sempre. Só que os mascarados estão do outro lado, do lado do mal. Nossa juventude está perdida, não há recuperação terapêutica para esta geração. Não sabemos quem é aliado, quem é bandido, e quem são os seres a serem combatidos.
Uma inversão de valores que nos corroí desde a unha encravada do dedo mínimo do pé até a ponta dupla carcomida do cabelo. Seres abomináveis que só pensam na própria carteira e nas contas da Suíça, sem pensar que tem gente morrendo nas filas dos hospitais públicos, onde só é possível marcar uma consulta para três ou quatro anos, e ninguém combina isso com as doenças.
E então nobre deputado alien, a CPMF resolveu alguma coisa nestes dez anos?
Não deveríamos condenar estes malditos vermes á cadeia. Deveríamos sim condena-los a viver com um salário mínimo. Ficar preso em Mônaco é turismo, ou daquele juiz que fica na mordomia de sua mansão. Já que eles sempre ficam doentes quando são pegos com a mão na massa, mandaríamos todos para a fila do SUS.
J B Ziegler
Enviado por J B Ziegler em 23/09/2007
Código do texto: T664835
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Sobre o autor
J B Ziegler
Gravataí - Rio Grande do Sul - Brasil, 37 anos
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J B Ziegler