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Fralde geral

                                     Fraude geral

Estou no país das fraudes, onde todos são suspeitos; Eu, por exemplo, enquanto investigam fraudadores do banco central, fraudo o papel higiênico do banheiro público, pois meu vizinho parou de assinar o jornal “Agora” e me deixou em maus lençóis, (também fraudava seu lixo) Ah, deixa eu cá com meus botões, usava o papel para outros fins, ainda bem que só dois olhos enxergam.
 Meu vizinho sempre quando me contava as notícias, e eu já sabia, ele me dizia:
 -Como você sabe? Se nem lê jornais e nem vê TV, pois não tem.
Que vontade de dizer: Enxergo tudo através do olho imaginário, mas cala-te boca.
Respondo com minha simples educação: pois é ouvi falar.
Um dia destes fui ver a minha ex- sogra, resolvi fraudar a geladeira da veia, caí de boca na moqueca dela. Parece até que a desgraçada adivinhou e se vingou porque deixei a filha dela, Cesarina, mas veja só!( O nome da praga) Agora toda vez que posso pela veia, me lembro da filha e da moqueca: saio: gospindo pimenta.
Estes dias passei pela rua da veia e ela me gritou:
-Everaldo, a Cesarina ainda te ama!
Eu respondi rapidamente:
-Sai pra lá veia desgraçada, nem a tua filha nem a tua moqueca são boas!
 Voei mesmo, pois ela quase me acertou um vaso nos cornos.
To indo muito bem pela rua, quando passa pela minha frente a minha vizinha, Ana Bela, ai minha nossa Senhora Aparecida! Nunca vi Ana tão bela, ao contrário de Cesarina que mais parecia um dragão, que de dia eu fugia dela e a noite apagava o lampião.
- Ai, meu Deus! Fraudei um beijo de Ana Bela e, adivinhe: o marido dela me pegou com a boca na botija, ou melhor, com a boca na Ana bela.
 Foi a última vez que tive zagueiro, o cara chegou e me arremessou como se estivesse jogando basquete.  Foi dizendo assim:
- Qual é a tua amostra de cruz credo, ta pensando que a minha mulher é o quê?
- E foi me dando tanto que nem me atrevi a responder, também! Adivinha o apelido do cara? O gracinha sem graça era chamado carinhosamente por muralha,
 doeu? Imagine o meu! Tudo bem, fiquei uma semana sonhando com Ana Bela. Melhor sonhar com a donzela do que viver com a desgraça da minha ex - mulher,
aquilo sim! Nem em sonho, pra não ter pesadelo.
Penso em fraudar outro beijo de Ana Bela, mas, se o muralha me pega outra vez, já viu!
Às vezes me aborrece tanta pobreza que, se o cara das cuecas do ladas ( com dólares ) passa por mim, fraudo-lhe tudo. Epa! Menos os bagos, estes prefiro os meus.
-Cara! Não sei por que eu tava proseando com um camarada meu, e disse para ele:
- Eu vou ao seu baile.
O Mário ficou faceiro e me respondeu:
- Mas vá lá, Everaldo vá lá ao meu salão, não sei o porquê, mas o cara de colarinho branco envocou com o sotaque do meu amigo Mário, o que diabos foi só sei que o bacana olhou pra nós e disse assim:
- Vão se enxergar seus pés de chinelos! Isso não é pra quem quer, e sim pra quem pode. Subiu no carro e foi embora.
Até hoje não entendi a do cara, será que ele pensa que não sei dançar? Ah, vai se danar! Riquinho metido a besta.
Hoje a Sebastiana vem aqui em casa, melhorou um pouquinho, descontando o nome ela é um pouco melhorzinha, que a ex, vez que outra a gente se gruda, mas esta não tem nada pra se fraudar, é um enredo de ossos que Deus me perdoe. Às vezes ela fala em casar, mas só de pensar naquelas pernas cheias de bexiga, aquele ronco de tripas, me vem meia dúzia de famintos no pensamento, que até dá nó na barriga, to fora!
To indo procurar emprego, desta vez eu vou a pé, porque a última vez que fui de bicicleta, ela não tinha freio, quando chegou ao fim da ladeira, quem carregava a bicicleta era eu, e ainda me passa um boizinho de carro fino e me diz:
- Ô bicicleta! Diz pro jumento sair da frente que eu estou com pressa, e me cantou os pneus nas fuças. Ta bom!Eu não tinha almoçado ainda, e como diz meu ditado: Otário come pó!
“ To cheio deste papo de fraude, to cheio deste papo de:” A vaga já foi preenchida, volte outra vez” To cheio deste papo de “o remédio acabou, não tem mais fixas.”
Vai te virar vagabundo. To cheio deste papo: As panelas estão vazias, a luz ta atrasada, a água foi cortada. Cara! Se eu pudesse mudar, mudaria, mas só de imaginar aquelas malas cheias, aquelas mesas cheias, aquelas cuecas cheias,
e a minha mesa tão vazia. Fico maluco!
Ta bom! Eu vou me controlar, mas se a Ana Bela, á Rara Bela, a Clarisbela, a maleta do dízimo, a mesa dos reais, a cueca dos dólares, derem mole, cai na real! Não sou de ferro! Não tenho mulher boa, não tenho dinheiro, não consigo emprego, minha bicicleta não tem freio, e só me ferro, pensa bem! Não quero ser desonesto, mas se o mersalão me der mole, vocês vão todos (P+?/*=+#!...@.com...!) me desculpem!


                                                  Flávia Freitas

 
       
           
           
flavia freitas
Enviado por flavia freitas em 23/09/2007
Código do texto: T664921
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Sobre a autora
flavia freitas
Rio Grande - Rio Grande do Sul - Brasil, 43 anos
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flavia freitas