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As luvas


Aquelas luvas brancas , rendadas fizeram parte da minha juventude interiorana estudante do Sagrado Coração de Jesus ,nos anos 60.
Lembrei-me dessa passagem e vou recordar com os amigos do recanto o fato um tanto triste , outro tanto engraçado.
Agora quase 40 anos passados ,consigo rir de mim mesmo, mas
quis morrer no dia do acontecido.

Eu era bolsista no colégio de freiras em minha terra natal , MG,um coléjio para moças bem nascidas o qual eu fazia parte por merecimento porque minha família jamais poderia paga-lo.
Assim convivia com as colegas feliz por poder estudar mas nunca participava das festas, reuniões, porque não possuia o
tão sonhado uniforme de gala.
Aquele uniforme era meu objeto do desejo numero um . Com ele  se poderia ir á missa aos domingos, ver e ser vista pelo colégio dos rapases que também frequentavam as missas.
Meu então inocente coração, batia forte pelo rapaz moreno de grandes olhos negros ,que sempra sorria ,meio timido, quando eu passava por ele.
Ele não sabia que eu era aluna da Instituição , porque eu nunca estava de uniforme.

Soube pela meninas que haveria festas na igreja matriz , a escola iria participar eu queria muito ir, mas e o uniforme ?

Naturalmente jamais poderia adquiri-lo em tão pouco tempo .
Vendo minha aflição ,minhas colegas decidiram ajudar-me .
Assim foi feito ,pegamos empestadas as peças do tão sonhado uniforme de gala.
Vestido branco pregueado no tecido volta ao mundo ( muito chique)
com cinto de veludo vermelho ,combinando com botões dourados,
botinha e meias brancas 3/4...e luvas brancas rendadas.
As benditas luvas estavam furadas,ou melhor ,mutiladas,porque faltava
justamente o polegar da mão direita.
E agora?
Todas amigas iriam usar suas luvas , sendo domingo não havia loja aberta, mas mesmo se houvesse eu podereria compra-las!
Calçando-as o polegar direito ficou inteiramente de fora, como poderia
se vista assim?
Tive a infeliz idéia de usá-las assim mesmo.
Sobrepondo a mão esquerda sobre a direita escondendo o polegar, numa posição única durante as longas missas celebradas pelo pároco
bastante idoso que muitas vezes cocilava sobre o altar.

Estava radiante na manhã de domingo ,gostei de imajem no espelho.
Meus cabelos longos e castanhos dourados , contrastavam com a boina vermelha com debruns dourados , até parecia uma moça feita
com apenas 12 anos .
A sensates e coerência  de minhas tias e vovó alertavam-me para um
possível desastre,mas eu não quis ouvir , precisava ir ,talvez o rapaz
estivesse lá e vendo-me no uniforme ,visse-me com outos olhos,pois os meus estavam apaixonados, fazendo minhas faces ficarem ainda
mais rubras.
Assim foi , caminhei até a matriz, com um só pensamento ninguém vai saber das luvas furadas,colocava as mãos de forma a esconder o dito
rasgo.
Início da festa ,meninada falante , cantoria do coro , sinos ...
E lá estavam os meninos do ginásio S. Luis , (congregação canadence
dos imãos beneditinos).
Meu coração disparou,seria vista e ...
As amigas riram muito do meu desconforto mas já que eu estava lá o jeito era prosseguir ...

Segue a missa eu segurava a papleta com a mão esquerda e com a direita fazia figa para esconder o polegar.

Assim que reconheceu-me o meu principe só tinha olhos para mim...
Entre uma oração e outra ele lançava -me olhares de aprovação,que
fazim-me subir aos céus (doce inocência)!

Com transcorrer das horas fui relaxando a guarda ,coisa que minha amiga Marlene ,sempre chamava-me atenção-Beth cuidado ...olha o dedo!
Finalmente termina a cerimônia , fogos e desperção, eu distraída á procura de mais um olhar e ir embora , até agora tudo bem .
Assim como numa aparição, de repente surge diante de mim ,meu principe, lindo na sua farda azul quepe embaixo do braço, muito elegante,abrindo um sorriso branco como pérolas...
-Olá , finalmente nos vimos frente á frente...
Estendeu-me a mão num cumprimento o qual eu não pude responder
pois se desse a mão ele veria que a luva estava mutilada...

Nada respondi , sai em desabalada carreira,infeliz muito infeliz.







borboleta azul
Enviado por borboleta azul em 24/09/2007
Código do texto: T666367
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Sobre a autora
borboleta azul
São Paulo - São Paulo - Brasil, 66 anos
45 textos (6546 leituras)
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