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POETAS

Hoje em dia ser poeta é quase como ser ufólogo. As pessoas estranham muito o fato de alguém ser poeta, principalmente, se tiver menos de quarenta anos. Afinal, é mais natural encontrar um jovem em uma danceteria do que em um sarau literário. Particularmente, sempre fui o mais novo das associações literárias e continuo sendo, o que tem me enriquecido.

De qualquer forma, é sempre esquisito, a luz dos mais céticos que alguém escreva em metáforas, de coisas do espírito, da sublimação dos sentidos e do amor, como sentimento genuinamente lapidado. Afinal, poesia não dá dinheiro, não é o "ganha" pão de quase ninguém, mas a verdade é que alimenta a alma, como toda a arte, e isto não têm preço. Eu garanto que vale a pena e nunca fui a nenhum psiquiatra...

Infelizmente, às vezes não somos muito compreendidos. As pessoas lêem nossos poemas, assim como olham um quadro ou uma escultura, mas poucas sentem lá no fundo e acabam dizendo que acharam bonito ou, ainda, que é legal. Mas, é preciso continuar produzindo, ainda que nossa linguagem não seja muito acessível, assim como a interpretação de uma pintura abstrata. A arte vale por si mesma e precisa ser preservada, no meio das guerras, das armas e do ódio que cega e incendeia a alma de tantas pessoas.

A poesia está na vida e em todas as coisas e atravessa séculos. Os versos de Castro Alves, em Navio Negreiro, eternizaram a problemática social do racismo e da exploração do homem pelo homem. O amor se sublima nas homenagens de Neruda à Matilde e cavalga em rimas andinas de uma cordilheira que só o poeta vê. Os versos de Fernando Pessoa eternizaram seu amor às terras lusitanas e ao mais português de todos mares. Um amor que também inspirou Quintana, em "o Mapa" , a descortinar a Porto Alegre de seus sonhos, a da rua da praia, sentindo saudades das ruas onde sequer andou, mas que caminhou em poesias. Ah... Mas, Drumont nos adverte sobre as pedras no caminho, esta estrada que Shakespeare sintetizou na questão existencial do ser ou do não ser.

Nós, os poetas, somos de carne e osso, mas também sonhamos e vemos a lua tal como os ufólogos, louvamos Gramado, tal como a Porto Alegre, do nosso Quintana, amamos incondicionalmente como Neruda, atravessamos tantos mares, tal como Pessoa, sublimamos a pedra diária em versos, como Drumont e nos defrontamos com as questões existências de Shakespeare, que se transmudaram entre o ser e o ter. Mas, é claro fizemos nossa própria poesia como um hino de nossa própria vida, afinal isto é ser poeta.
pássaro poeta
Enviado por pássaro poeta em 26/09/2007
Código do texto: T668967

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Sobre o autor
pássaro poeta
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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