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NOTÍCIA SEM CRÉDITO

NOTÍCIA SEM CRÉDITO

“Policial denuncia execuções comandadas pela Rota Dom, 23 Set, 08h55”.

Um órgão da mídia impressa ou outro tipo de mídia, não pode dar-se ao luxo de publicar notícias de tamanha gravidade, sem fornecer detalhes, nuanças, e pormenores, sobre crimes, corrupções e atos que desabonem a conduta de qualquer pessoa ou instituição. Na nova nomenclatura midiática, isso se chama de “furo furado”. A falta de ética está inserida nos meios de comunicações por falta de preparo intelectual ou mania de aparecer do responsável que repassa a notícia. Vejam essa notícia e a gravidade que a mesma produz sobre a Instituição Polícia Militar, e a covardia de um integrante da mesma milícia, que denota não ter amor a instituição, que o recebeu de braços abertos e como retribuição recebe uma cusparada de um integrante insatisfeito. Diz o clichê popular que: “Roupa suja se lava em casa”. Garantimos que o comando da Polícia Militar nunca coadunou com militares que cometem arbitrariedades e os que não merecem integrar os quadros dessa briosa corporação, são submetidos a conselhos de disciplina e justificação, e se forem culpados são sumariamente expulsos e considerados mortos para a Instituição.    O soldado P. se orgulha de trabalhar na Rota, a temida tropa de elite da Polícia Militar paulista. Diz que gosta de tudo correto, da abordagem de suspeitos à prisão de ladrões. Com mais de cinco anos de Rota, P. já viu também muita coisa errada, que "tem de parar". Como policiais roubarem um carro e fazerem um atentado como se fossem do Primeiro Comando da Capital para justificar a execução de um ladrão. Se a notícia não tem fonte segura não merece o devido crédito.

Mais do que denunciar colegas, P. procurou o jornal O Estado de S.Paulo para contar como as coisas acontecem. Como uma parte dos policiais - "sempre os mesmos" - faz as chamadas "derrubadas", onde suspeitos são escolhidos e executados. Depois os policiais encenam tiroteios e roubos. Tudo para "arredondar" o caso. Durante um ano, P. deu quatro longas entrevistas à reportagem. As informações foram averiguadas e, em dois casos, serviram para esclarecer crimes, levando à denúncia de policiais envolvidos ou reforçando indícios contra suspeitos. Foi à reação dos colegas aos ataques iniciados pelo PCC na noite de 12 de maio de 2006, uma sexta-feira, o motivo que levou P. a desabafar. Dali até agosto - PMs mataram 104 suspeitos de pertencerem à facção. A "contabilidade" do lado do PCC (Primeiro Comando da Capital) também foi sangrenta. A facção matou 59 pessoas, 25 delas PMs. Confira a seguir um dos relatos de P. À reportagem completa está na edição deste domingo do jornal O Estado de S.Paulo:
Ordem superior
"O oficial disse que era preciso dar uma resposta. No sábado (13 de maio) foram nove (mortos). No domingo todo mundo entrou em forma de novo. O oficial parabenizou o trabalho feito, falou que precisava que se desse - continuidade que a tropa tinha entendido a mensagem, que precisava repetir a dose. Aí teve 16 (mortos). Na segunda, disse para maneirar um pouco e aí teve oito... Aí na terça, com o pessoal em forma, ele (o oficial) chegou e disse: 'Deu, tá bom. '"- Com a tropa em forma?"Em forma, com grito de guerra, grito de Rota e tal. Foi dado garantia: não tem Pro ar (acompanhamento psicológico de PMs envolvidos em ocorrências de risco), afastamento de rua e transferência. Não teve nada." É uma denuncia grave que merece ser investigada com toda responsabilidade e que se aponte os nomes dos “policiais arbitrários” e que o jornal publique o nome dos que participaram desses ‘atos delituosos’. Se algo está solto e sem respaldo, precisa de um elo forte para que as autoridades tomem as medidas necessárias ou cabíveis revelando nomes dos que estiveram presentes nesse suposto acontecido. Bem como se nomine o nome desse comandante que deu ordens para prática de atos que desabonam o nome da corporação. Tudo em pratos limpos em nome da ética.

ANTONIO PAIVA RODRIGUES-MEMBRO DA ACI E ACADÊMICO DA ALOMERCE.

Paivinhajornalista
Enviado por Paivinhajornalista em 26/09/2007
Código do texto: T669591
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Sobre o autor
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Fortaleza - Ceará - Brasil
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