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                         PERISCÓPIO

        São notícias interessantes, mas de conteúdo polêmico.  Farei sobre elas rápidas e cautelosas observações.
        Os meus diletos leitores terão,entretanto, total liberdade para comentá-las; se desejarem, dirão se com elas concordam, ou se as descartam para sempre.

                   
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        Validade do casamento: sete anos!
        Completado esse tempo, o contrato nupcial perderá sua validade, podendo, entretanto, ser renovado por igual período. É o que uma deputada, tentando sua reeleição, pretende transformar em lei. 
        Justifica sua estranha proposta, argüindo que custa caro um processo de desfazimento de um casório.  No seu país, "quase metade dos casamentos acaba em divórcio"!

        Sosseguem, porém, os brasileiros e as brasileiras: é alemã a deputada que está propondo essa história de casamento temporário.  Ela tem 50 anos de idade, vive separada do marido, mora no Estado da Baviera, e se chama Gabriele Pauli. - (BBC Brasil.com)

        Como em Brasília algumas senadoras e deputadas pouca coisa fazem no Parlamento, de repente esta notícia pode levar uma delas a, imitando a coleguinha da Baviera, colocar este assunto na pauta do Congresso.
         Parece melhor discutir este tipo de vínculo matrimonial do que continuar procurando saber como o Renan Calheiros andou pagando a pensão alimentícia à sua filhota, produto do seu romance escondido com a jornalista Mônica Veloso, sua bela ex-amante, mas de um tremendo mal gosto.
 
                    ***  ***  ***

         O flerte.  Enquanto isso, uma pesquisa, também ligada aos casados, vem provocando acessos comentários. Diz respeito ao flerte praticado pelo cônjuge (ele ou ela) fora do casamento! 
        De acordo com a pesquisa, publicada pela revista britânica Best, esse gostoso namorisco à distância, ao invés de destruir a união conjugal, ajuda a solidificá-la.
        Os ingleses apelidaram o flerte do casado de flir-delity , ou seja, uma "mistura das palavras flerte e fidelidade". - (BBC Brasi.com)

        Deonísio da Silva, no seu fantástico livro A Vida Íntima das Palavras, define o flerte como "namoro rápido", que não implica em maiores conseqüências. 
        Eu digo: pode ser agora. Antigamente, a partir de um flerte bem sucedido, podia nascer um namoro promissor, e, até um casamento duradouro e feliz.  Houve um tempo, em que o flerte era, por assim dizer, o prelúdio do namoro...

        Fofocando. Andam dizendo por aí, que o flerte está cada vez mais sendo praticado por homens que, pelas leis Canônicas, estão impedidos de namorar e casar. 
        E que varões casados, com reconhecida estabilidade matrimonial, não desprezam a oportunidade de "exercitarem" furtivos flertes... Oh! Não serei eu o primeiro a condená-los...  Tenham dó e piedade!

                   
***   ***   ***

        A cerveja.
  De pronto, confesso, que jamais a trocarei pelo melhor uísque escocês, ou pelo mais saboroso dos vinhos, venham eles de onde vierem. Pedindo, aqui, perdão aos enólogos e enófilos.

        Não adianta querer convencer-me de que este ou aquele uísque é inigualável, porque tem tantos e tantos  anos de engarrafado; e que este ou aquele vinho é excelente, porque é da safra deste ou daquele ano; ou fabricado com este ou aquele tipo de uva. 
        À cervejinha serei fiel até a morte!

        Creio, que meus leitores conhecem tudo o que já se escreveu sobre a cerveja. Principalmente os que se entregaram, de corpo e alma, à "prática bibitória" dessa extraordinária bebida.

        Mas talvez desconheçam, que um dos mais interessantes livros sobre a cerveja foi escrito pelo saudoso acadêmico Antônio Houaiss; sim, o homem do Dicionário da Lingua Portuguesa. Possuo um exemplar, e não o empresto a ninguém.

        Um parêntese. Nas boas livrarias que freqüento - em Salvador, Rio e São Paulo - não consigo comprar um o livro de Houaiss, que tem este título: A Cerveja e Seus Mistérios. Continua esquecido pelas editoras. Acho, que só num bom sebo ele poderá ser encontrado.

        Não transcreverei, aqui, na íntegra, o que o Houaiss pesquisou sobre a cerveja, e botou no seu atraente livrinho. Chamo-o de livrinho, não para menosprezá-lo, mas porque ele, de fato, é pequeno; o que possuo, tem, aproximadamente, cem folhas, com belíssimas ilustrações.

        Alguns fragmentos, entretanto, da obra do nosso acadêmico, poderei transportar para esta coluna.  Houaiss assegura, por exemplo, que, provavelmente, a cerveja é a mais antiga das bebidas alcoólicas! E que Plínio, o Velho (22-79,dC), Ulpiano, morto em 228, dC e Santo Isidoro de Sevilha, em 560-636, já falavam sobre ela, chamando-a de cervisia ou cerevisia.

        Que Dom João VI, na sua mudança para o Brasil, trouxe, na bagagem, alguns tonéis de cerveja, sua bebida preferida. Teria sido ele, portanto, o responsável pela introdução da cerveja entre nós.

        Escrevi este intróito, para revelar que a cerveja - pasmem! - só conserva a maioria de suas "substâncias benéficas" , até 15 dias após sua fabricação.  
        A descoberta, claro, não é minha, e sim da pesquisadora Priscila Becker Siqueira, Mestra da Unicamp. Ela esclarece anida que essas substâncias "são os compostos fenólicos, oriundos... do mate e do lúpulo".  (www.G1.com.br)

        E vem, então, o conselho: " Olhe a data de validade, e beba logo".   Duvido que o bom bebedor de cerveja se ligue nisso.  Na praia, digamos, sol a pino, quem vai cuidar de examinar a data de validade da cervejinha, sofregamente esperada? Ninguém.

        Não é preferível bebê-la sem essa preocupação?
        Deliciá-la sem maiores indagações? Até porque, com o tempo, podem sumir da cerveja as "substâncias benéficas"  apontadas pela nobre pesquisadora, mas nunca desaparecerão os inefáveis efeitos dela esperados; o que me parece mais importante.

                   
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        Amsterdam
. Por último, uma notícia nada alentadora. Principalmente  para os turistas que ainda pretendem conhecer Amisterdam, uma das mais imponentes cidades da velha Europa, com suas praças cheias de tulipas, e suas  bicicletas num vaivém contínuo.

        Em Amsterdam, o visitante dispõe de uma infinidade de atrações. Como, por exemplo, um passeio a bordo de um Bateau Mouche pelos seus canais, degustando bons vinhos e excelentes queijos feitos do leite das decantadas vacas holandesas, que se destacam pelos seus apreciáveis ubres.
        Pode-se, também, ver museus. Como o de Rembrandt (1636-1658)  e o de Van Gogh, o mais importante artista holandês do século 19.

        Amsterdam, não é novidade, é uma cidade onde a liberdade do cidadão é respeitada em toda a sua plenitude. 
        Por isso, não é de se estranhar que seus visitantes sejam levados a conhecer o bairro da Luz Vermelha, onde charmosas prostitutas se exibem por trás de dezenas de  vitrines iluminadas: um deleite para os olhos ( e imaginação?) do turista abelhudo...

        Pois bem, li no site da BBC Brasil.com que o prefeito de Amsterdam, senhor Job Cohen, mandou fechar 51 dessas vitrinas.   Que coisa, hein?
 
        Sinto não concordar com a decisão do seu Job Cohen. Visitei aquele bairro, e posso dizer, sem constrangimentos, que lá, o espetáculo é grandioso...
        Ainda bem que a minha possante Pentax não me deixou sem bonitas fotos das  vitrines  e das meninas  da Luz Vermelha.
   
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 26/09/2007
Reeditado em 12/02/2008
Código do texto: T669712
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Sobre o autor
Felipe Jucá
Salvador - Bahia - Brasil
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