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Eu meu pai e os amendoins!

Como seria eu e meu pai? Imagino ele na minha infância, tenho algumas lembranças gostosas dele cortando meu cabelo, pois era cabeleireiro, toda semana cuidava do meu visual engraçado que eu só tinha dois anos de idade e ele já pensava na minha vaidade.
Lembro também de quando me dava alguma moedinha para os amendoins que eu comprava na lojinha ao lado que saudades tenho dele.
Vivi um período curto da minha infância ao seu lado, mas foi tão bom que até hoje me alegro ao me recordar desses fatos, ele faleceu, foi embora e eu fiquei só.
Imagino hoje depois de alguns anos como seria se ele estivesse ao meu lado, me ensinando as coisas da vida, me alertando sobre os perigos do mundo e ainda dando dinheiro para os amendoins, seria muito bom!
Na juventude onde tantas coisas boas me aconteceram, ele certamente daria gargalhadas gostosas das minhas cabeçadas e descobertas de adolescente, mas estaria presente nos momentos de solidão e tristezas. Ah! Como seria bom!
Todo cuidado que ele tinha comigo, a música que cantava para mim, eu jamais esqueci dela sempre lembro, era uma música de carinho onde ele dizia que eu era a pessoa mais preciosa para ele.
Infelizmente ele partiu e fiquei sozinho, agora sem aquele que muito se preocupava comigo, lembro a última imagem dele inerte e sem vida sobre aquela mesa, com dois anos foi difícil entender aquilo.
A vida me deu alguns amendoins, mas agora eu é que tinha que descascá-los, sem ele que naquele pouco tempo que passamos juntos foi tão importante, foi duro viver sem sua presença, foram momentos de solidão e sua figura protetora foi desaparecendo junto com os amendoins e agora me só me restaram as cascas.
Ele me deixou um nome e uma foto, que guardo com todo carinho, quando olho a foto começo a refletir de como seria eu e ele juntos hoje, seus conselhos e orientações de um homem com pouca formação, mas com uma experiência maravilhosa da vida seria bom tê-lo comigo e ouvi-lo cantar para mim aquela música, a nossa música.
Ele trabalhou até os últimos dias de sua vida, sempre preocupado lutando para nos dar um pouco de conforto e uma boa educação, eu quero me espelhar nele, ser um homem lutador que buscava sempre o melhor para os seus, descobri que por mais que a vida tenha permitido que vivêssemos por pouco tempo juntos valeu a pena!
Cadê minha música, meus amendoins meu Pai?
Fábio Beltrame
Beltrame
Enviado por Beltrame em 01/10/2007
Código do texto: T675927
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Sobre o autor
Beltrame
São Paulo - São Paulo - Brasil, 41 anos
46 textos (11111 leituras)
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