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A BRINCADEIRA É BEM MAIS SÉRIA DO QUE PARECE

A BRINCADEIRA É BEM MAIS SÉRIA DO QUE PARECE

Há pouco recebi um arquivo como a música dos Titãs Vossa Excelência: “Filha da Puta, Bandido, Ladrão! “ um dia ainda o Sol vai nascer quadrado!” o estribilho. Lembrei-me dos melhores tempos da faculdade, meados dos anos 70, início dos anos 80, 77 a 82... Depois vieram as Diretas Já...

O PT estava nascendo, Genoino ainda era um herói e as prensas ainda cortavam dedos mínimos: um metalúrgico profissional me garantiu que os acidentes com as prensas normalmente atingiam os dedos polegares, indicadores e médios, mais comumente os polegares e indicadores, normalmente os dois juntos e da mão esquerda mais que os da direita por causa do modo de se segurar a peça... Hoje elas possuem sistemas de segurança que não permitem o seu acionamento enquanto as mãos estiverem na área de risco...

A minha geração está beirando os cinqüenta e há muitos políticos na mesma faixa etária que acredito que tenham nascido e vivido no planeta, semelhantemente a maioria de nós, alguns eu até cruzei com eles pelos campus de universidades, cursinhos pré-vestibulares, essas coisas...

“Vossas Excelências”, Juízes, Senadores, Deputados e por aí abaixo... Que vontade de cantar o estribilho, mas, não sou de fazer catarse com esse tipo de situação, penso que a brincadeira é bem mais séria: estamos todos jogando-pedras-na-vitrine, mas, quantos de nós teríamos morrido, teríamos sido presos, teríamos seqüestrado, matado, fugido, feito plástica para esconder a nossa cara e voltado de mansinho, virado políticos, presidente, ou eminência-parda do companheiro mais popular?

Estamos todos gritando, fazendo filminhos, falando em conscientização, em voto consciente... Lembram daquela letra de música que a Simone cantava? - Eu queria ser cruel naturalmente, descobrir onde o mal nasce, destruir sua semente? Estamos todos querendo destruir os frutos maduros, podres... Por que não as suas sementeiras?

A Luiza Erundina apareceu num relance na mídia há dois ou três dias atrás e disse a um repórter algo mais ou menos assim: “não podemos esperar mudanças partindo daqui de dentro”. Querem recado mais claro? Está evidente que a maioria dos nossos representantes democráticos está adoecida moral, ética e espiritualmente falando, o peso da doença já os dominou... O episódio Renan é um esgoto a céu aberto, ou melhor, uma ferida pútrida, um melanoma, exposta na cara: não há mais como escondê-la. Vejam o quanto esse homem está sacrificando o país para manter a sua posição no tabuleiro; os seus pares ferrenhos combatentes tornar-se-ão mansos logo mais, negociados os seus interesses para as próximas eleições...

Continuamos elegendo vereadores, prefeitos, deputados e senadores e eles continuam agravando o quadro porque já entram doentes ou previamente preparados para ser inoculados pela doença... Mas, então, onde está a sementeira? Por que ninguém ataca os líderes político, chefetes, mequetrefes e presidentes dos Partidos Políticos, uma vez que é dali que surgem os nossos legítimos representantes? Quem conhece a história do Renazinho? Do Efeagacezinho? Do Luizinho? ( todos os Luizinhos têm suas histórias...)

E esses senhores que estão com os bolsos cheios dessas sementes e não estamos sabendo ver? Qual será ou quais serão os próximos “salvadores-da-pátria” que emergirão dos seus Partidos?

Idéias não dependem da cara, mas, do que há na mente... Vocês acreditam que os que pensam ( mas não falam ) que os fins justificam os meios desistiram dos seus intentos? Falemos sério! Só o voto não muda mais nada, precisamos agora é de mobilização social, não a das massas embrutecidas pelos e dependentes da caridade emergencial dos políticos, essa que eles criaram para manipular as peças do tabuleiro do poder, mas, das massas das quais nós fazemos parte e estamos agora assistindo a tudo com cara de embasbacados vendo o teatro encerrar atos e construir outros para encená-los daqui a pouco enquanto a Previdência consome o País, os aviões se tornaram perigosos meios de transporte, os remédios encareceram, a rede pública faliu ( todas as redes públicas ), as privadas estão bem, obrigado, podem até cortar árvores quem ninguém fala, nem o Green Pece, enquanto as “eminências-pardas” se movem mais do que nunca pelas sombras, ainda que, algumas, pelas sombras dos tribunais, trabalhando mais do que nunca para trocarem os peões, alguns bispos, reis, rainhas... Combalidos pelo jogo insano e fétido no tabuleiro que armaram...

Que vontade de cantar o refrão da música dos Titãs, mas, prefiro dizer aos Titãs que as peças do tabuleiro mudarão, pelo menos as mais desgastadas, mas, é preciso outra letra para uma nova música que mostre mais onde está o nascedouro do mal. Gostei da música, mas, acordei com um espanto:

- Filhos-da-Puta! É bem possível que venham a nos matar em breve ou aos nossos filhos por causa das suas idéias, e seus compadres latino americanos e nossos senhores-de-engenho...
Chico Steffanello
Enviado por Chico Steffanello em 02/10/2007
Código do texto: T677192

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Sobre o autor
Chico Steffanello
Sinop - Mato Grosso - Brasil, 59 anos
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