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Uma Carioca na Bienal do Livro de Sampa 2002

Uma Carioca na Bienal do Livro de Sampa 2002
Lílian Maial

Acabo de desfazer malas, exausta, dessa verdadeira aventura passada em São Paulo - capital.  Fui à Bienal do Livro, tanto para autografar meus dois livros: Enfim, renasci!  e  a antologia EROS de poesia sensual, mas também para encontrar amigos poetas e prosadores de listas de e-mail que freqüento.
A chegada foi tranqüila, um querido amigo (até então conhecido apenas por correspondência e fotos) me aguardava no aeroporto. O vôo foi calmo e sem atrasos. Meu amigo é a figura doce e gentil que demonstrava nos e-mails e nas conversas eventuais, presenteou-me com uma rosa de boas-vindas.
 
Em pouco tempo estava no hotel, podendo apreciar, no caminho, a cidade que sempre tão bem me acolheu, e que adoro.  Havíamos combinado um almoço com outro amigo da mesma lista de poesias e assim foi, tão logo me vi instalada no apartamento. Encontramos com esse amigo, também desconhecido pessoalmente, e almoçamos os três, discutindo os rumos da poesia, da lista, e nossos planos para o fim de semana.
Dali, após deliciosa refeição, partimos para o Centro de Exposições Imigrantes, onde estava acontecendo a Feira do Livro.  Nova emoção apossou-se de mim, ao entrar na fila dos "autores" para pegar passe especial - um crachá - para a feira. Pode parecer bobagem, mas é algo
inesquecível.
Rumamos para o Box da Editora Scortecci, onde haveria o encontro das associadas da REBRA (Rede Brasileira de Escritoras), e a esperada tarde/noite de autógrafos, além da confraternização com escritoras que não via desde o último, em novembro/2001.  Foi uma delícia!  Ver pessoas em
carne e osso que só tínhamos correspondências até então foi divino!  Como é bom abraçar e sentir o calor de pessoas tão queridas e com tantas afinidades!  E como é gentil e doce o editor João Scortecci, que cedeu espaço a autoras que nem haviam editado seus livros por seu intermédio.
A carioca "espetaculosa" não aceitaria aparecer em público com um salto menor que salto 10 (ainda mais "seu" público), e sofreu com os quilômetros que andou na feira, pesquisando e admirando a infinidade de publicações de todos os gêneros espalhados pelo pavilhão. Ficamos até à noitinha, com promessa de novo encontro para o dia seguinte - um almoço interlistas!
E que almoço! E que fantástico reunir aquele bando de poetas cheios de vontade de confraternizar, de se abraçar e compartilhar a emoção desse encontro.  O que saiu de besteiras, gargalhadas, brincadeiras, enfim, pareciam todos adolescentes em farra de excursão.  Muito também se discutiu
dos rumos da poesia, movimentos literários e planos.  Estávamos felizes.
No dia seguinte, retorno ao Rio de Janeiro, saudades dos filhotes e dos amigos que cá ficaram, na minha maquininha infernal, sem os quais não passo. Meu doce amigo deixou-me no aeroporto de Congonhas e foi tratar de sua vida familiar, que ficou em segundo plano nesses dias.  Toda feliz, entro na pequena fila de "check in" e retiro a passagem da bolsa, para embarcar de volta.  Qual não é a minha surpresa ao constatar que estava sem o documento de identidade!  Provavelmente perdido na Bienal, na entrada, quando me identifiquei como autora.  E não houve santo, reza ou conversa mole que fizesse o pessoal da companhia aérea me permitir embarcar sem a identidade,
mesmo dando todas as explicações plausíveis, mostrando crachá, carteira funcional, cheque, cartão de crédito, livro...  nada!  Ai, meu Deus, ia perder o vôo!!!  E aí?  Sozinha, desamparada...  ia ficar onde e como em São Paulo?  E a família?  Trabalho?  Céus!!!   Como boa e enrolada carioca, a essa altura tudo já caía da mão, o lenço enrolava nas frestas de qualquer coisa com frestas, o coração acelerado e a asma ameaçando dar o ar da graça.
Veio gerente, supervisor, atendente...  nada...  (penso que me acharam com cara de poeta).
 
Conclusão: faltando menos de 30 minutos para o vôo, fui parar na Polícia Federal. E corre daqui pra lá com mala, lenço e desespero. A atendente, muito gentil, acompanhou-me o tempo todo, em seu passinho eficaz atravessando o aeroporto de Congonhas. E lá fui eu atrás, com o bendito salto 10 e a crise de asma! Chegando lá (quase 5 minutos de percurso - a essa altura, tempo precioso) o
delegado informa que para embarcar eu teria que fazer uma ocorrência, mas que o escrivão estava almoçando...  ah! E isso era hora? No melhor dos meus charmes (que devia estar parecendo aflição) tentei convencer o delegado a ordenar meu embarque, mas parece que ele não estava disposto a anotar nem meu telefone.
Finalmente chega o escrivão, naquela calma que só o escrivão tem ao perceber que é necessário, levando-me cerca de 15 minutos vitais.  A declaração foi feita, assinada e corre a atendente na minha frente, para segurar o vôo. Lá vou eu atrás, esbaforida, com mala, já quase sem lenço, chiando feito
chaleira pelo caminho, sentindo-me personagem de filme de Schwartzenegger, esbarrando e afastando pessoas como bolas de boliche. Enfim entrego a mala, para despacho. Sem fôlego algum, pergunto pela passagem e soube que já estava na entrada da sala de embarque com a eficaz
atendente Constanza, que segurou o vôo.  Nisso ouço meu nome pelos auto-falantes do aeroporto, convocando para embarque imediato...
Chego no portão de embarque, achando que tudo estava encerrado, quando o detector de metais apita...  ai, meu Deus! (lembrei do Zorra Total, quando o detector só apita para as moças, para que elas tirem as peças de roupa...), mas, felizmente, era só a pulseira, quer dizer, exatamente 18 pulseiras, que tirei de uma vez, quase amputando o antebraço! E lá vou eu correndo pela pista, desviando dos maleiros, sinaleiros e sei lá mais quem ou o quê.  Até que uma alma caridosa (desses de abastecimento da aeronave) acenou para que não corresse, que o avião já estava sabendo e
esperando.
O piloto olha lá de sua cabine e sorri com um ar de "sópodiaserperua" que nunca esquecerei.  Bem, já que havia chegado, por que não subir as escadas como os degraus da fama, no alto de meu salto 10 e no maior glamour? Não é brinquedo não...  um avião me esperando, ta legal? (bem poderia alguém
pensar: um avião esperando outro... hehehehe... mas isso talvez há 10 anos...). O que importa é que subi chiando, mas disfarçando a garganta seca.  Ao passar pelo corredor, olhares sobre mim...  ai, que sensação entre gostosa e mortal...  não sabia se era a calçada da fama ou o corredor polonês.  Sentei junto à janela, confortável, e veio a aeromoça oferecendo água, visivelmente preocupada com meu estado (devia estar descabelada, suada, rouca e chiando... ).   Bebi.  Torci para não haver problemas com o vôo, mas foi tudo bem e cheguei sã e salva, embora exausta.
Ainda bem que ano que vem a Bienal do Livro é no Rio de Janeiro...
 
por  Lílian Maial


Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 05/11/2005
Código do texto: T67740

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Sobre a autora
Lílian Maial
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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