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Cafés dizem Boa-Noite




Antes de entrar para a faculdade acreditava que os dias as vezes se repetiam, que algo que eu fizesse hoje, faria exatamente igual dali a dois ou três dias, mas a faculdade realmente muda toda nossa vida. Rotina? Já quase não me lembro desta palavra tão bonitinha e chata, porque realmente cada dia que você passa, desde que universidade esteja inclusa, é único, não vai se repetir, ainda que se faça coisas sinônimas, serão, terão pontos diferentes. Agradeço todos os dias, não exatamente e sempre a Deus, mas ás forças maiores em geral que nos regem porque estou na faculdade, fazendo exatamente o curso que estou fazendo (porque é o que eu quero, o que gosto), e como a maioria das coisas a gente aprende fora da sala de aula, agradeço ainda mais pelas pessoas que eu conheci, com quem convivo, e fico imaginando: “Poxa, eu poderia estar em qualquer outro lugar, em casa, e não ter a mínima noção da existência dessas pessoas maravilhosas. Mas as conheço, e cada uma é de um jeito de uma personalidade, assim como as noites, e os cafés.
Numa dessas noites, estava feliz, porque consegui através dos respectivos blogs meu e da Aline um blog marcar um café, um café que estava devendo, devendo por pura consciência porque ela jamais me cobrou. Ela disse que o blog dela não servia para muita coisa, eu respondi que servia sim: “É o único blog que marquei um café até hoje.”
Após aula, digitar textos naquele terrível laboratório de direito, desci e fui até o amado corredor, e estava ela a me esperar, em frente a minha sala, sedenta do seu fluído negro e doce em copo de isopor, com tampa! Fomos, James Bond e a Penélope presidiária. Imaginem, porque eu não consigo imaginar, viver sem estar ao menos três vezes por semana escutando Dani e suas promiscuidades, vestida bandida com toca do Che Guevara, Bruno muito tranqüilo, Talita com muita certeza levando camisas por aí (falando nisso não posso esquecer da camisa que vou dar a ela, não vou esquecer!) E a Aline (ce) listrada conseguindo sapatos maravilhosos da Mormaii por apenas R$ 10,00! Desgraçada, sortuda, Presidiária... James Bond!
Como uma liga da justiça, carregando cafés tampados, azar de não os conhece, porque eu conheço, e adoro, me recorda exame de fezes, mas é um café tampado da presidiária com Mormaii de dez reais e do James Bond, e isso basta! Nós vamos em busca da pedra filosofal, ou do amigo brócolis e seus arredores, porque “aqui ninguém vê, que massa!” E nunca veríamos guiados pela Dani sem óculos, pior que isso só eu esquecendo o nome dela, um “vai te fuder” risonho vem de resposta. Ficaria ali o resto da noite, da vida, tomando meu café gelado, papeando com as quatro musas sob aquele céu azul marinho sem estrelas, como foco dos guardas malvados, éramos, sempre somos estrelas. Sentado nas pedras desconfortáveis resolvendo vidas, ficaria ali o resto da vida com elas se preciso, se possível, e o sono viria com muito mais prazer, assim como realmente foi, dormi com mais gozo e vivacidade, porque aqueles cafés (de tampinha) diziam boa noite, faziam por si e nós uma ótima noite.



Douglas Tedesco – 10/2007
Douglas Tedesco
Enviado por Douglas Tedesco em 03/10/2007
Código do texto: T678655
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Sobre o autor
Douglas Tedesco
Tijucas - Santa Catarina - Brasil
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