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DOS 17 AOS 38 – UMA LENDA

 



O título deste artigo bem que poderia ser “Que Dilema”!; ou então “Não Que Seja”; ou, ainda, “Que Loucura”! E, talvez, muitos outros. O período histórico, em que está inserido, corresponde a vinte e um anos, de 1964 até 1985, quando eu vivi dos meus 17 aos 38 anos. Foi o tempo que recebeu inúmeros subtítulos: Ditadura Militar – Anos de Chumbo – Regime Autoritário – Golpe Militar - Regime de Exceção – Época da Redentora, etc. Todo enfoque histórico/político carece de ser analisado com imparcialidade, o que nem sempre ocorre. Estigmatizar é encerrar, num só conceito, a observação, ou vivência, dependendo do caso. Sabemos que um lobo faminto, encontrando um porco, o abaterá para saciar a fome. Vai daí que, na lenda Os Três Porquinhos, aquela fera pode ser chamada de lobo mau, na visão dos porquinhos (ou dos seus simpatizantes), não sendo descartada a corrente dos que apoiam o lobo, na justificativa encontrada na lei da natureza de sobrevivência. Que Loucura, apoiar o lobo, diriam muitos. É um dos subtítulos citados se salientando.
Abordo, agora, o tema segurança pública. Em verdade, deveria escrever insegurança pública. O que era um chiste valorizado pela mídia, explícito na expressão “tá tudo dominado” (de novo?), transformou-se numa realidade. No entanto, o tal domínio está no lado errado e tem muitos adeptos. É lamentável, se antes não fosse catastrófico e vergonhoso, que as pessoas de bem não têm mais liberdade sequer em suas propriedades particulares, quanto mais nas vias públicas. Talvez porque parecemos mais com o Heitor e o Cícero (nomes aportuguesados), porquinhos que fizeram suas casas de bambu. Prático, o porquinho mais sábio, fez sua casa de tijolos, resistente aos “sopros dos lobos”. Nossa revolta ao banditismo, em todas as áreas, é como casa de bambu. Será que carecemos de um Prático para nos ensinar a construção de casas de tijolos, ou seja, o endurecimento com essa laia de lobos famintos que se espalha das vilas populares às hostes palacianas? É terrível,   mas se escuta aqui e acolá de que no tempo da ditadura vivia-se melhor, pois tínhamos mais segurança. Pura bazófia, posto que um artigo como este, naquela época, jamais seria publicado. Mas que caminhávamos e passeávamos com mais liberdade é fato, e não lenda. Pois é, dos 17 aos 38 eu vivi uma lenda. “Era feliz e não sabia”? Conversa mole para lobo e porcos dormirem. O que ainda não aprendemos é viver em liberdade democrática. E democracia também é o cumprimento das leis, e estas sendo ajustadas a seu tempo. Passaram-se mais de 21 anos. Estamos numa lenda democrática ou apenas os animais trocaram de lado?
 
Cláudio Pinto de Sá
Enviado por Cláudio Pinto de Sá em 03/10/2007
Código do texto: T679085
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Sobre o autor
Cláudio Pinto de Sá
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 70 anos
163 textos (23648 leituras)
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Cláudio Pinto de Sá