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Eu te conheço?

A muito estava querendo escrever sobre esse assunto e por um motivo ou outro fui protelando. Pois bem.
Em cidades como essa, onde a maioria conhece a maioria e com isso os filhos, os netos, os cunhados, as cunhadas, os parentes e por aí vai. Brincamos muito ao dizer: “_Cuidado, se não é irmão é parente.”

E é assim mesmo que as coisas funcionam. Você conhece fulano que conhece beltrano e assim os laços se estendem, mas não pense que é só vantagem, pois não é. Digo por mim mesma.

Minha mãe, a cidade toda conhece, nem que seja só de nome, alguém já ouviu falar. Isso às vezes me intriga, pois se é pra estar em algum lugar às 08:00, saímos as 07:00, pois não há um trajeto que se complete sem que pelo menos duas ou três pessoas a parem para um papinho. Até aí tudo bem, é muito bom ser querida, melhor que oferecida. Mas onde quero chegar é: Quando as pessoas sabem de que família você é, a trata de uma forma, quando descobre de quem você é filha, neta, enfim, te tratam diferente.
Vou contar o “milagre”, mas não contarei o “santo” (evitemos o mesmo erro).

Uma determinada pessoa que chamarei de X , passava por mim diariamente e mal cumprimentava,já ia entrando, de nariz empinado poderia tropeçar em mim ( mesmo sendo bem mais baixa, risos, isso não vem ao caso) e nem pra se desculpar, ao telefone não dirigia nem um bom dia meia-boca e começava a sessão “pedidos”. Eu sempre soube quem ela era e isso nem fazia diferença quanto ao tratamento que destinava a ela, porém um belo dia, a vida nos coloca com uma amiga em comum, (Y), frente a frente e pra surpresa de X ,Y me conhecia e muito, amiga de minha mãe, que carinhosamente me chama de “minha sobrinha”.
 
Ao ver Y contando a X em minha frente de quem eu era filha, vi essa pessoa ruborizar-se de e li nos olhos dela “ Não acredito que você seja filha de quem é e eu te tratei por diversas vezes como se fosse alguém de pouca importância “, e ela me disse: Nossa como você nunca me disse quem era você ?Vi-te criança. E eu tive o prazer, não tardio de dizer: _ Você nunca me perguntou quem era!

Agora, sempre que me vê, pode estar a metros e metros de distância que não deixa de me enxergar e de agora, cumprimentar.

Que tomemos mais cuidado ao rotular as pessoas só pela sua árvore genealógica. Título nenhum e de ninguém, nem mesmo seu vale mais do que ser quem você realmente é.E por essas e outras que prefiro ser conhecida por mim mesma e não pela popularidade de minha mãe.

llelle Martins
Enviado por llelle Martins em 03/10/2007
Código do texto: T679485

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Sobre a autora
llelle Martins
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