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PELE

Cálida, quente e doce à pele que acaricio é leve ao toque, ao vento fraco que entra pela janela aberta. Não há nada ou ninguém no raio de quilômetros. Perfeitamente perfeita a escolha da casa na campina. Só nos dois mais ninguém. Deitados, lençóis jogados de lado assistem aos dois abraçados brincando com a mão contra a mão. Olhando a penugem loira pequena da barriga reta. Parecem espigas de milho ou mesmo lírios. Não sei bem porque, mas lembrei-me de uma frase da antiga parábola “Olhai os lírios do campo” Seria sacrilégio lembrar o autor desta frase justamente no momento presente em que nos encontramos para os folguedos da pagã deusa Vênus. Acho que não. E por conta disso continuo alisando o corpo da mulher Ingrid descoberta um dia entre outras em uma fila na estação. Fomos dois que se escolheram a casa pequena no alto da planície, e ali ficamos a noite inteira observando da cama as estrelas. Da varanda as estrelas, na mesa da sala o chocolate quente. Depois, nus entregávamos ás ginásticas mais sensuais, sensoriais que nossa mente poderia imaginar. E mesmo a orquestra coachante das rãs e grilos ajudava o silêncio reinante. Pensei por um instante estar ouvindo Dick Farney , mas fora simplesmente minha memória que voltava  a me pregar peças , enquanto aos beijos  cai em seus braços . Ouvi-a soluçar , e veio aquele beijo . O beijo que selou o nosso amor. Um amor de momento, suspenso e suspeito de existir independente, bem longe de qualquer preconceito, pagamento, sentimento só o eterno pertencimento de sermos-nos eternamente no momento breve. A pele da penugem dos trigais amarelos, os olhos de âmbar adamascados. Sozinhos nos dois com a voz melosa do aparelho de CD: “Ne me quite pás...”.


MARIO ORTMAN FERREIRA FILHO
GROTIUS

grotius
Enviado por grotius em 03/10/2007
Código do texto: T679632

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Sobre o autor
grotius
Santo André - São Paulo - Brasil, 62 anos
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