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Minha vida na internet

É difícil imaginar-me sem as teclas. Viajo ao tempo em que elas não existiam e vejo-me sem perspectivas, vivendo a vida ou deixando que ela passe simplesmente. Não que não vivesse, exatamente, mas, a vida corria dentro da normalidade.
Paro e penso. O que seria a normalidade?
Então, conhecer o mundo virtual ou estar em contato com uma infinidade de pessoas, descobrir intelectos, planar em sonhos involuntários, conhecer a si próprio visto pela ótica robótica, deixar livre as sensações e emoções, seria sair do que está pré-fixado para as pessoas comuns.
Estas, por sua vez, restringir-se-iam apenas a levar filhos na escola, alimenta-los, manter a ordem na esfera familiar e educa-los para que se transformassem em seres normais.
Mas, felizmente, estamos no Século 21, aonde as mulheres vieram ao longo do tempo, brigando por uma igualdade de valores.
Apenas concordo que muito se perdeu nesta procura insana e que hoje nos damos conta do prejuízo. Mas há de se considerar os ganhos primeiramente. E, dentre eles, o direito de conhecimento.
E daí então, entramos no virtual, propriamente dito.
Volto ao meu questionamento do que fazia antes de conhecer a virtualidade. Não que eu queira mudar e, se voltasse no tempo, talvez fizesse as mesmas coisas, sem que quisesse altera-las, pois, foi através desse tempo vivido, que fui armazenando a minha história.
Nem quero, entretanto, retratar-me nestas palavras, pois deixo esse feito aos grandes nomes, de renomadas obras.
Mas, no entanto, é desta história que tiro fundamentação para escrever e mostrar o meu avesso.
Daí estamos a um passo do que eu disse sobre o virtual. Pois, foi através dele e destas máquinas malucas que, pude enfim, entrar para esta ERA INFORMATIZADA, diluir-me nos diversos modos de interação e felizmente encontrar-me. Em carne e osso e, sem demagogia, nos mais belos versos. Pois é deles que renasço e descubro em mim, uma alma que, se já existia, não me havia sido apresentada.
Acredito que as pessoas alheias a esta parafernália de fios, também possuam uma alma, mas nunca pararam para conhece-la.
E foi através das máquinas, onde as pessoas ditas normais ficam ausentes, é que enlouqueci, deixei a normalidade sair de mim, busquei por valores antes desconhecidos, ousei, chorei e cresci. Encantei-me pelos mais lindos corações, dei a mão para pessoas que dantes não tinha conhecimento da existência e, descobri nessas pessoas, irmãos sinceros e verdadeiros. Alguns pelo que vale lutar.
Foi a falta de normalidade que fez com que eu descobrisse a poesia em mim, e dela enamorei-me. Fui alem, casei com a sorte de vivencia-la.
E, para completar minha loucura, apaixonei-me.
Mas, por favor, aos que me lêem, não permitam que eu modifique minha conduta. Pois, jamais quero voltar a ser normal. Quero sim enlouquecer de vez, ser feliz e comprar um Pentium 4
Lara
Enviado por Lara em 16/03/2005
Código do texto: T6809
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Sobre a autora
Lara
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil, 61 anos
113 textos (9672 leituras)
3 e-livros (253 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/12/16 16:11)
Lara