Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

A N T I O F Í D I C O

 



Para início de texto, reproduzo o que expressa a Larousse sobre o vocábulo título: “adj. Diz-se dos soros preparados a partir do veneno de cobras e usados para neutralizar os efeitos desse veneno.” Está, ainda, na Enciclopédia: “Desenvolvidos pioneiramente por Vital Brasil no Instituto Bacteriológico de São Paulo em 1898, hoje existem no Brasil os soros antibotrópico (usado em picada de jararaca, jararacuçu, cotiara, caiçaca, urutu); anticrotálico (picados por cascavel); antiofídico polivalente (picados por uma serpente de um dos dois grupos já citados); antielapídico (picados por coral); antilaquético (picados por surucucu, surucutinga); antibotrópico-antilaquético (para picadas de uma serpente de um desses dois grupos). O Instituto Butantã de São Paulo é o maior produtor mundial de soros antiofídicos.”
Ai está. É do próprio veneno que sai a cura.   Freqüentemente abordo um tema, e pugno por ele, como sendo o paradigma da identificação regional a célula indispensável do conjunto formatador da unidade nacional. O caleidoscópio das culturas regionais é que dá o  caráter nacional. Robustecer essas culturas locais é, portanto, fortalecer a nacionalidade, pois elas, em sua representatividade, identificam o país a que pertencem. A Literatura, num primeiro momento, e o surgimento do Movimento Tradicionalista Gaúcho (1947/48), apesar de alguns desencontros, ou até algumas pantomimas, de alguma forma deu à região do Rio Grande do Sul uma expressividade cultural que a identifica e, em conseqüência, situa o Brasil quando se apresenta das mais variadas maneiras (canto, dança, prosa, poesia, gastronomia, etc.). “... isto é lá do sul... do Brasil!” Unidos estão, pois, o regional e o nacional.
Este fortalecimento cultural regional não aconteceu no centro-oeste brasileiro. O que outrora foi a região caipira, não revigorada pelos vários itens acima citados, e outros, hoje está transformada em terra de cowboys. Sem xenofobia, mas livre da xenomania e/ou xenofilia, constata-se que o maior troféu de muitos habitantes daquelas paragens é um chapéu de vaqueiro americano. Que crime cometeu o nosso glorioso chapéu de palha?  E as toadas características deram lugar aos “miados”. Ah! Mas a indústria de fivelas, botas e chapéus é uma fábula! Tá bom! Deixa assim, cara pálida! E por que não indústria de artefatos identificadores dos aspectos locais autênticos? Por acaso chapéu, bota e fivela, além da música “cáuntri” identificam o Brasil? E pensar que ainda ficamos brabos com os argentinos que nos chamam de macaquitos!
Mas... ainda bem que existe esta alternativa; o célebre “mas”. Eis que existe um filme americano, no qual dois vaqueiros da terra do tio San ficam apaixonados... um pelo outro. E ambos usando o tal troféu, o chapéu de vaqueiro que os identifica como americanos. Resta-nos torcer para que, doravante, o uso do chapéu de vaqueiro americano passe a identificar “as bichas”. É... coisa mais lindinha! Inocularam no nosso sertão caipira a cultura alienígena transformadora. Foi cobra que nos mordeu. Pois o antiofídico será retirado daí. Certamente que a viadagem vai  a d o r a r usar tais chapéus. É... em terra de cowboy quem tem chapéu de vaqueiro americano é rei... ou rainha. Depende onde a cobra picar.
 
Cláudio Pinto de Sá
Enviado por Cláudio Pinto de Sá em 06/10/2007
Código do texto: T682925
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Cláudio Pinto de Sá
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 70 anos
163 textos (23589 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 19/08/17 20:20)
Cláudio Pinto de Sá