Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Olha o sorvete!

Quando tinha oito anos de idade me apareceu à primeira oportunidade de trabalho, meu padrasto sofrera um acidente e ficou invalido por seis meses, e logo nos dois primeiros meses as dificuldades começaram a surgir, era começo de ano e eu e meus irmãos estudávamos e precisávamos comprar o material escolar e ajudar minha família em casa. Foi quando minha mãe teve uma grande idéia, ela resolveu comprar três caixas de isopor e começou a administrar seus três mais novos funcionários.
Como eu era o caçula dos três minha caixa só cabia trinta sorvetes, nos íamos à sorveteria comprávamos os sorvetes e revendíamos obtendo um lucro de 100% em cima de cada sorvete andava por todas as ruas da cidade com aquele grito de “olha o sorvete”.
Isso era fantástico, pois fez nascer em mim um amor pelo trabalho que tem me seguido até os dias de hoje, quando eu acabava de vender os trinta sorvetes ia para casa entregava o dinheiro para minha mãe, abastecia a caixa novamente e vendia cerca de 150 sorvetes por dia.
Nos meses de férias eu e meus irmãos trabalhamos todos os dias com uma alegria, pois agora nos sentíamos responsáveis pela casa, meu padrasto se recuperando da fratura no fêmur que levou a colocar uma platina de trinta centímetros.
Quando se contava os lucros no domingo ficávamos contentes, pois ela dava um dinheirinho para gastarmos e esse era nosso primeiro salário, com os lucros minha mãe pode comprar todo nosso material escolar e ainda conseguíamos ajudar nas despesas do mês.
Foi uma experiência maravilhosa, porque também nos proporcionou irmos a primeira vez no cinema, e o filme que assistimos foi king Kong, meu padrasto demorou seis meses para se recuperar e nos voltamos às aulas, então nossa jornada de trabalho diminuiu para meio período, mas mesmo assim conseguíamos ter bons resultados.
Nos não éramos assalariados ou tínhamos dinheiro sempre, mas foi com esse trabalho que conseguimos estudar naquele ano, entendo que emprego realmente falta, mas trabalho não, a pessoa que não tem medo de se arriscar sobrevive no nosso meio que é cheio de oportunidades para quem não tem medo de por a cara para bater.
Se o governo pouco se interessa em dar oportunidades temos que criá-las, fazer surgir em nós à coragem de se colocar a onde for preciso e trabalhar sem vergonha do que estiver fazendo, seja vendendo sorvete ou qualquer outro tipo de trabalho, pois o “trabalho dignifica o homem”.
Agradeço Aquele que, pois em mim a coragem de ser um lutador, e não ter vergonha de ser quem sou.

Fábio Beltrame
Beltrame
Enviado por Beltrame em 08/10/2007
Código do texto: T685666
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Beltrame
São Paulo - São Paulo - Brasil, 41 anos
46 textos (11111 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 18/08/17 15:39)
Beltrame