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                 Amigos do santo poeta

          1. Na literatura profana, São Francisco de Assis é acolhido com indiscutível carinho. Numa pesquisa rápida, constatei que cronistas, poetas e romancistas famosos têm por ele uma indisfarçável predileção. Chamo-os de amigos do santo poeta. Vejamos alguns.
          2. Nikos Kazantzakis. Escreveu O Pobre de Deus. Sem dúvida um dos mais belos livros sobre a vida de Francisco de Assis.
     Pode até não ter a profundidade religiosa e o alcance teológico de Francisco de Assis - Ternura e Vigor, do inigualável Leonardo Boff. Mas, em romantismo e doçura, o livro do autor de Zorba, o grego supera a obra do ex-franciscano Boff.
          3. Vinicius de Moraes. Na sua Arca de Noé, ele vê, assim, o Pobrezinho de Assis: "Lá vai São Francisco/ De pé no chão/ Levando nada/ No seu surrão/ Dizendo ao vento/ Bom dia, amigo/ Dizendo ao fogo/ Bom dia, irmão."
          4. Em A Espantosa Ode a São Francisco de Assis, Vinicius curva-se diante do santo, e se declara um poeta menor: "Meu São Francisco, Francisco de Assis, poverello,/ ou como te chame a sabedoria dos povos e dos homens/ Este é Vinicius de Moraes, de quem se podia dizer/ - o poeta - se jamais alguém pudesse ser/ depois de ti."
     E mais adiante: "Não creio em Deus, mas creio em ti - Deus é minha/ melancolia/ Tu és minha poesia - ou quando não seja o amor que ela se deseja."
          5. Dizem que Vinicius era ateu.  Mas estou convencido de que sua descrença em Deus não impediu que seu amigo Francisco de Assis batalhasse pelo seu ingresso no céu; e sem passar pelo purgatório. Afinal, todo poeta "se assemelha a Cristo", disse  Catulo da Paixão Cearense, em uma de suas dolentes modinhas.
          6. Cecília Meireles. Tem versos bonitos exaltando o Poverello. No poema Ecos, chama Francisco de o "jogral de Deus deslumbrado".
          7. Manuel Bandeira. Entre seus poemas traduzidos, está Oração, que o povo chama de Oração de São Francisco. Em Oração para aviadores, o vate pernambucano pede a Santa Clara de Assis que "por amor a S. Francisco/ Vosso mestre, nosso pai,/ ... todo risco dissipai".
          8. ristão de Athayde. Nos seus Estudos, Alceu Amoroso Lima diz que Francisco "era um cantor da festa divina, renovando a alma do mundo com a fé de uma criança; era uma figura que abalava o mundo". E faz rasgados elogios ao Cântico das Criaturas.
          9. Humberto de Campos. Escreveu a crônica Na terra do irmão Francisco. Descreve, com a ternura que caracteriza seus escritos, a cidade natal do santo italiano. E, a certa altura, diz que "Assis é uma canção de paz e humildade". 
          10. Josué Montello. No seu artigo, Meus encontros com São Francisco de Assis, o mestre de O Baile da Despedia  é enfático: " Por alguns episódios de minha vida, tenho a consoladora impressão de que esse santo, se não me acompanha, pelo menos faz sentir que me protege." Em tempo: Montello não era católico, mas Evangélico.
          11. Afrânio Peixoto. Em Viagem Sentimental, o escritor baiano, autor de Bugrinha, com devoção seráfica, registra sua passagem por Assis, e assim define São Francisco: "Foi o homem que mais se aproximou da Divindade, e que por isso foi, de fato, uma réplica humana de Jesus." E chama Francisco de precursor de Dante.
          12. Dante Alighieri. Na Divina Comédia - Paraíso, Canto XI -, Francisco de Assis aparece como um campeão da fé, ao lado de São Domingos, fundador da Ordem dos Dominicanos. 
          13. Leonardo Mota. O consagrado folclorista cearense declarava-se, abertamente, um amigo e devoto de Francisco de Assis. Tão grande era a sua devoção pelo santo, que escolheu, como mortalha, o modesto hábito franciscano. E vestido no burel seráfico, segundo seus biógrafos, foi enterrado.
          14. Agripino Grieco. Cáustico nos seus julgamentos. Mas com Francisco, em a Legenda Franciscana, foi de uma indescritível brandura. Vejam: Grieco coloca o Poverello ao lado de Dante, de Chateaubriand, Baudelaire, Milton, Athero, Varela, Alphonsus Guimaraens, e do cearense José Albano. 
     Lembra, que Francisco, "bêbado de Jesus, nunca abençoou punhais ou espadas, nem pôs o bíblico Deus  dos exércitos acima dos pastores e profetas". 
          15. São Francisco, afirmam seus biógrafos, era uma pessoa limitada intelectualmente. Para Agripino Grieco, sua  Academia foi Jesus.  Como, então, justificar tanta gente culta declarando-se, por escrito,  seus amigos?
          16. "Louvado sejas, meu Senhor,/ por nossa irmã e mãe terra,/ que nos alimenta e governa/ e produz variados frutos/ e coloridas flores e ervas."
          Quem escreveu o Cântico do Irmão Sol  (ou das Criatura) só pode ter como amigos, entre outros, Kazantzakis, Grieco, Vinicius, Afrânio, Dante, Montello, Cecília, Leonardo Mota e Humberto de Campos e de tantos outros poetas, cronistas e romancisatas.
     Sem esquecer Giotto, que, com seu pincel seráfico, deixou para a posteridade fascinantes afrescos sobre a vida do Homem do Segundo  Milênio.

                         ***   *** 

Nota - Quadro pintado por um romeiro e oferecido à Basílica de São Francisco, na cidade cearense de Canindé. Eu lá.

 



             
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 09/10/2007
Reeditado em 21/07/2016
Código do texto: T686839
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Sobre o autor
Felipe Jucá
Salvador - Bahia - Brasil
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Felipe Jucá

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