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(Bringing the horse to the water, de Rose McGurran)

FAZER O CAVALO BEBER ÁGUA

           “(...)You can take a horse to the water but you can't make him drink
You can have it all laid out in front of you but still won't make it think(...)”
                                                     (George Harrison, in Horse to the water) 

         
     Pra usar uma expressão muito conhecida, ando “mais dura que pau de tarado”, o que não é novidade para noventa por cento das pessoas que eu conheço. Isso, numa estimativa das mais otimistas. Mesmo assim, não resisti e acabei comprando um DVD lindo: “Concert for George”. Uma homenagem lindíssima feita a George Harrison, em 2002, no Albert Hall. Não preciso dizer que babei. 
     A seleção das músicas foi de primeira e, de repente, ouvir “Horse to the water” , que eu já não ouvia há tempos, me emocionou.  Amo essa música, que ele compôs com o o filho Dhani, que, aliás é a cara dele. E, como tudo que ele escreve, o cara é uma pedra no meio da testa. A frase aí no alto resume bem uma sabedoria mineira: não adianta dar o peixe, tem que dar a vara e deixar o cara pescar. Assim dizia o finado meu avô, que alguém o tenha seja lá onde for.      
     A gente, besta como é por natureza, especialmente quando é jovem, visionário, revolucionário e cheio de idéias pra mudar o mundo, tende a pensar que só nós vemos as cagadas que andam sujando o planeta inteiro e a vida de todo mundo. Ledo engano. Todo mundo sabe as merdas que fazem, todo mundo vê perfeitamente o que está fora do prumo, mas poucos, raríssimos mesmo são os interessados em fazer algo a respeito. A propósito, é bom que a gente já tenha bem claro que não, não vamos mudar o mundo. Podemos fazer algo por nós e isso sim, muda a maneira como NÓS passaremos a ver o mesmo mundo. 
     Sinto-me absolutamente à vontade pra dizer estas coisas porque eu já fui e, em alguns aspectos continuo sendo, o perfeito “horse to the water”. Você pode levar o cavalo até a água, como diz a música, mas não pode obrigá-lo a beber. Você pode ter a realidade claramente estampada diante dos seus olhos e, de novo, como diz a música, isto não o fará pensar. A única pessoa que pode fazer você, o cavalo da história, beber a água a sua frente, é você mesmo. 
     Ninguém precisa de salvadores, mestres ou Messias. Eles podem até ajudar, disponibilizando o que aprenderam para que os demais, cuja ficha ainda não tenha despencado no orelhão (e no cabeção), possam fazer uso. Eles até podem levar os cavalos para o rio, mas beber é outra história. 
     Somos mestres em ensinar o caminho. Mas somos os primeiros a errar a rota. Somos experts em resolver o assunto alheio, mas vamos acumulando as pendências uma sobre outra. Horses in the desert. That’s it.




Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 08/11/2005
Código do texto: T68731

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154037 leituras)
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Débora Denadai

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