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E O ELEVADOR EMPERROU

                 
Hoje pela manhã eu ouvi dizer que, quando o Sr. Renan deixou o prédio do Senado Nacional, estava acompanhado de tantos seguranças que até o elevador emperrou. Ora, se estivesse-mos num país onde as leis fossem, realmente, iguais para todos, isso não aconteceria, pois ele não estaria desfrutando de tanta “proteção”. Se todos fossem tratados com igualdade pela atual legislação brasileira, o Sr. Renan não estaria sequer acompanhado de seguranças, mas sim de, apenas um par de policiais e, corretamente algemado, fato que jamais geraria excesso de peso no elevador.
A inversão de valores (principalmente éticos e morais) é um fenômeno mundial, mas no nosso país atingiu proporções assustadoras, que já preocupam até outros países, quase normais. Aqui as desigualdades sociais são impressionantes.
Esta semana também fomos surpreendidos por dois casos de acidentes nas estradas que, normalmente, abalariam o coração qualquer cidadão.
No primeiro, um promotor da justiça, que deveria dar exemplos de respeito ao próximo e às leis, com fortes indícios de embriagues teria perdido o controle de seu automóvel (?) e invadindo a pista contrária (na contramão), atingindo uma moto e causado a morte de três pessoas, cortando sonhos, projetos de vida e arrasando três famílias. Neste caso sabia-se a causa e o autor da tragédia, mas a lei permitiu que este saísse, tranqüilamente, da delegacia, para responder ao processo, em liberdade (você advinha se esse julgamento será justo? então pode receber uma benção de N. Sra. de Aparecida).
No segundo morreram, até agora, mais de 27 pessoas, mas ocorreu em dois lances e as causas ainda não foram esclarecidas. Os que poderiam ser culpados do primeiro lance (choque do caminhão de frente com o ônibus), estão todos mortos e, pelo que sei, não havia indícios de embriagues. As condições da estrada também podem ter contribuído muito e nesse caso a culpa primeira seria do governo que tendo, junto com Estados e Municípios, até o momento arrecadado mais de R$696.369.588.000,00 (seiscentos e noventa e seis bilhões, trezentos e sessenta e nove milhões, quinhentos e oitenta e oito mil reais – consulte www.impostometro.com.br) não aplica nada na malha viária. Quanto ao segundo lance, o motorista da carreta que aumentou o número de vítimas, encontra-se hospitalizado, parece não ter antecedentes criminais, é pessoa simples e, pelo jeito, trabalhador e pobre, pois quem se vê obrigado a enfrentar o perigo dessas estradas “à noite”, não deve pertencer à elite das elites, portanto já há uma escolta policial, no hospital, esperando a sua “alta”, para levá-lo preso.
Entendeu agora porque o elevador emperrou ?
No caso dos acidentes: no 1º tem-se a certeza do autor do crime, conhecem-se a sua culpabilidade e as causas, mas o fulano, só porque é promotor público, tem curso superior, etc..., está livre e colocando outras vidas em perigo, inclusive a minha e a sua. No 2º o motorista pode até ter culpa, mas não se tem certeza, não se conhecem as causas, porém antes que se lembrem dos problemas das estradas (desde o asfalto até o policiamento), já arranjaram um bode expiatório, um sujeito simples, provavelmente, sem muitos recursos, que talvez nunca ouviu falar em “mensalão” e, talvez até tenha votado no atual Presidente da República e seus “companheiros”.
Precisamos de uma reforma urgente em nossa legislação, principalmente a penal. É preciso acabar com essa balela de resocialização que cria privilégios causadores do aumento da criminalidade. Redução de pena por bom comportamento é inadmissível num país que se julgue civilizado, pois ter bom comportamento, no meu entender, nunca foi mérito, mas obrigação.
Os privilégios para aqueles a quem Deus já deu uma tremenda colher de chá também devem acabar. Aliás a única diferença que eu entendo justa no tratamento dos indivíduos que praticam um mesmo crime é contrária ao que se aplica atualmente. Entendo que a pena deve ser aumentada e o tratamento prisional mais rígido, para aqueles que têm curso superior e não nasceram na miséria como os demais, a final sua obrigação de não errar é maior. É isso aí quem precisa de reforma é a lei, não os elevadores do poder !
                                  SP.   12/10/07
                       Fernando Alberto Salinas Couto
Fernando Alberto Couto
Enviado por Fernando Alberto Couto em 12/10/2007
Código do texto: T691477
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Sobre o autor
Fernando Alberto Couto
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 66 anos
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Fernando Alberto Couto