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A água só não lava...

Edson Gonçalves Ferreira

Quando chove, lembro-me, perfeitamente, da velha casa em que morava, de telhas e onde, periodicamente, havia goteiras. Corríamos com as bacias para a água não molhar as coisas. Nunca, contudo, amaldiçoávamos a chuva, porque, quando chove, Deus está se lembrando da Terra, pois a água faz com que a semente rompa e as plantas desabrochem e, então, teremos as promessas de frutos.
Hoje, contudo, não vou ficar no lirismo e tampouco no saudosismo. Faço um paralelo entre a chuva benfazeja e as tormentas políticas que assolam o país em vésperas de eleições. Há muito tempo que goteja no Palácio do Alvorada e, pelo que parece, Lula não se incomodou e não providenciou nenhuma bacia e, portanto, a água molhou os suntuosos tapetes e, agora, o cheiro do mofo está forte demais.
Talvez até Lula ganhe as eleições e seja, novamente, o nosso Presidente, mas ninguém conseguirá apagar as marcas das goteiras do Planalto. Muita gente, que não entende metáfora, vai achar esta crônica doida e dirá que é impossível ter goteiras no Palácio da Alvorada, porque ele é de laje. Contudo, gente, laje também vaza e vaza tanto que vaza até a alma da civilidade do brasileiro.
 Outro dia, escutei na televisão, durante um programa humorístico, ironizarem a fala do presidente francês que, quando visitou o nosso país, disse que não se tratava de um país sério. Talvez, muitos brasileiros achem graça de certos humoristas que, invertendo os valores, brincam com frase. Brasileiro, contudo, não gosta de goteiras que danifiquem o seu patrimônio.
  Sim, gente, hoje, não estou falando das prosaicas goteiras das casas de telhas somente, estou falando de todos os buracos feitos pelos políticos na grande casa chamada Brasil e, para consertar o teto desta casa, fazem buracos enormes em nossos salários através do excesso de impostos e taxas. Isso, gente, sem falar na negação da correção da pensão dos aposentados. Sim, alegaram que há um rombo!...
   Todo mundo, agora, com certeza, já sabe de qual goteira estou lamentando. E o pior é que, até hoje, não acharam ninguém -- pode? -- que soubesse consertar o telhado da grande casa chamada Brasil. Assim, estes dias, quando a chuva voltou, me lembrei de escrever esta crônica, tarde, bem tarde da noite, depois de um dia de trabalho, enquanto os políticos dormiam tranqüilamente, sonhando com os nossos votos e sem ligar para as goteiras.
                  Talvez, sim, talvez, eles creiam que a água lava tudo, mas como diz a marchinha de carnaval: a água só não lava a língua desta gente e, no caso, a língua de quem ainda acredita, como eu, que possa haver uma política limpa. Se houver goteiras, haverá alguém como nossas mães capazes de acudir para a casa não ficar tão suja, tão feia, ó Deus!

Publicado no Jornal Agora, em Divinópolis, Minas Gerais.
edson gonçalves ferreira
Enviado por edson gonçalves ferreira em 12/10/2007
Reeditado em 13/10/2007
Código do texto: T691576
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
edson gonçalves ferreira
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