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Ladrão de Mim





     O despertar de algo em mim vem de coisas inesperadas...
     Pego-me muitas vezes roubando de mim mesmo. Às vezes sorrateiro ás vezes despudoradamente, sempre ladrão. Os ritos de passagem, nos transportam a novas experiências e sempre tiram muito em relação ao que é adicionado. Sempre há escolhas, mas subverto a ordem e subtraio singelas alegrias para investir em felicidades futuras. Tiro o pão da minha boca, para soprar a fumaça ilusória. Sucateiro de idéias, em detrimento do vil metal, roubo de mim, idéias, para vendê-las barato no mercado insano de mercenários acéfalos. Troco valores centenários por moeda corrente, perco a liquidez e reclamo quando, descapitalizado, choro sobre o leite derramado. Já furtei momentos lúdicos, escondendo-os em bolsa rota, na esperança de poder utilizá-los no ostracismo. Busco amor. De todos os tipos, desde Ágape até Eros, passando pelo Philos, e sempre estou vazio. Porque os tiro de mim e como pérolas, jogo aos porcos. Perder com a intenção de ganhar é sempre perder. Aos perdedores nada. Vitórias parcas não alimentam anseios famélicos, roubo meu sucesso para entregá-lo gratuitamente, de véspera, ao desânimo. Perambulo pelos descaminhos, revirando as lembranças e arrastando correntes. Atado a grilhões, numa inútil auto flagelação, imponho-me novas regras de conduta, tomo novas resoluções e roubo minha própria vontade de mudanças. Desatino, desalinho, desconforto. Motos contínuos, incessantes e permanentes. Mas como o despertar de algo em mim sempre vem de coisas inesperadas, tenho esperança de reabilitação. Sou apaixonado pela vida e isso nem eu mesmo roubo de mim.
Luiz da Silva Rosa
Enviado por Luiz da Silva Rosa em 12/10/2007
Código do texto: T691607
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Luiz da Silva Rosa
Santa Isabel - São Paulo - Brasil, 61 anos
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Luiz da Silva Rosa