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CARTA A MINHA MÃE

 
 
Mãe,
 
marcas de sua vida passeiam por minhas lembranças, nesse finalzinho de tarde. Na singela sensatez da caminhada, suas mãos foram espalhando algumas sementes . Com calma, mas decidida, eu me permito recolher alguns sentimentos e muita gratidão. Seus passos, hoje, pequeninos e cansados,  me fazem quedar-me , silenciosa, perante o jorro de vida que me vem ao coração, ao me lembrar de seu amor pela Palavra de Deus. Desde de sempre - seu maior amor.
Quando bem menina, eu me orgulhava de seu jeito , mãe.  Vê-la entrar em nossa igreja, garbosa, caminhando elegante sobre saltos finos , algumas vezes nos ensinando o amor pelo silêncio na Casa do Pai, pisando, macio, na ponta dos pés. Queria crescer para usar salto alto e meias finas - queria me parecer com você.
Lembranças....ternas lembranças !
Mas, nada tatuou mais meu coração do que seu amor pela Palavra de Deus. Não importava o tempo dificil, as lutas do sol e da lua, as presenças e ausencias do seu companheiro-amor, a solidão, o silêncio doído de quem quer gritar... nada....absolutamente, nada, tirava de suas mãos e de seus olhos um Livro de capa preta. Mais que isso : seu coração nunca se encontrava vazio de uma promessa, um mandamento, um desafio, um alento, um refrigério, uma admoestação... Era seu tempo de aconchego com o Deus que permeava sua vida de Vida.
Hoje, suas mãos já não estão mais tão firmes....e um sapatinho baixo, acolchoado, acomoda seus pés que não perderam o caminho para a Casa de seu Pai. Nem a chegada do Inverno fez nevar seu coração ao ponto de faze-la esquecer do seu Livro Companheiro.
E quando a vejo, sentadinha em sua cadeira , reverente e atenta ouvindo os murmurios carinhosos do Pai do Céu, toda manhã, eu me rendo em adoração Àquele que plantou em seu coração tamanho amor.
Aprendi com você, Mãe, que meu palmilhar na Terra se torna leve se ouço o Amado Deus, no raiar do meu dia.
E agora, querida, começo meu Outono... e , emocionada, percebo que essa semente plantada e regada por sua vida na minha, vingou.
Eu amo os sussurros do Nosso Deus....e os ouço nos primeiros momentos do meu dia.
Nosso jardim prossegue, mãe .
E minha prece  ao Dono de Nossos Corações é : um dia, quando meus olhos e minhas mãos também estiverem cansadinhos, meus frutos se lembrem de mim como aquela que amava ao Seu Deus e a Sua Lei. Como você, Mãe.
 
Com meu beijo...
Vivian
Enviado por Vivian em 09/11/2005
Código do texto: T69177
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Sobre a autora
Vivian
Vitória da Conquista - Bahia - Brasil, 60 anos
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Vivian