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AOS QUERIDOS RECANTISTAS

Moro num canto que a civilização mal conhece. Não tenho internet. Só sei que existe internet porque trabalho, e com isto preciso sair de lá. Sou até admirado por aquelas bandas, porque tenho um velho computador que é quase uma máquina datilográfica manual, coisa ainda em voga entre meus vizinhos, que fazem até cursos de datilografia. São exímios. Datilografam muito mais ligeiro do que digito. É no meu velho computador que passo meus textos publicados no Recanto (o das letras) e no meu blog de frases, no qual publico minhas tiradas, as de pessoas que admiro - sejam elas comuns ou célebres - e provérbios de todos os tempos e países.
Levo tudo em disquete, ao ir trabalhar, na certeza que durante o dia terei alguns minutos para usar na surdina, um computador conectado. Faço tudo às pressas e forjo cara de santo se alguém aparece: Minimizo a prova do crime e faço a possível sentinela ver que estou buscando informações para minhas aulas de arte ou literatura. Dessa mesma forma me relaciono com as pessoas mais íntimas, via e-mail, como quem acessa uma amante: Silenciosamente, cercado de todas discrições, para não ter problemas.
É isso que me faz tão injusto com tantas pessoas que me enviam comentários carinhosos, de admiração sincera aos meus escritos e até mesmo a mim, graças ao recanto das Letras. Quase não os respondo, havendo casos em que nunca respondi. Da mesma forma leio às pressas o que os outros escritores publicam, quase sempre não comentando, para não ser demorado e ninguém perceber que uso a máquina funcional para tratar de assuntos estritamente meus.
Por causa dessa dificuldade já me deparei, nem muito surpreso - por ser profundo observador do comportamento humano -, com advertências enviadas aos que mais lêem meus textos, sobre minha arrogância, meu convencimento e a indiferença ao que os demais escrevem, tanto quanto aos comentários que tecem. Junto às advertências, o pedido para que as mesmas fôssem deletadas, tão logo fôssem lidas, "para evitar problemas".
Nenhum problema. Sou o tipo de pessoa que respeita opiniões e conhece os mais diferentes tipos de limitações. O que posso dizer é que tenho profundo carinho por todas as pessoas que visitam minhas páginas no recanto. Algumas o fazem com tanta frequência e tão sem cobrança, que tenho por elas um afeto especial, como se fôssem familiares muito queridos. Se não respondo sempre, ou quase nunca, sempre correspondo ao carinho, à sinceridade e à boa fé com que se dirigem a mim, perfeitamente compreensivas e desarmadas. Não é um "tome lá, dê cá".
Seja como for, quero dizer ainda que respeitarei, se qualquer outra pessoa também concluir que sou arrogante, frio, convencido e indiferente. Só peço, neste caso, que a conclusão seja própria, sem qualquer influência. Não um ato de obediência a quem já fez o "favor" de concluir para si e para todos os outros, como se ninguém tivesse raciocínio próprio.
Demétrio Sena
Enviado por Demétrio Sena em 13/10/2007
Código do texto: T693027
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Demétrio Sena
Magé - Rio de Janeiro - Brasil, 56 anos
3050 textos (61785 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 18/08/17 06:10)
Demétrio Sena