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Baianada

                                     “ Baianada”
Uma vez assisti a um programa de TV onde um "grupo de extermínio de pessoas de raça inferior", (pasmem! mas foi assim que eles se apresentaram!!!) de São Paulo, concedeu uma entrevista.
Eram rapazes entre 20 e 25 anos. Encapuzados, eles mencionaram que "batem mesmo, descem o pau, nesses bandos de pessoas de raça inferior, que resolvem se instalar na nossa  cidade, enfeiando-a". O repórter questionou-os quem eram essa "raça inferior” a quem eles se referiam com nojo na voz. Eles nomearam: mendigos, negros, homossexuais, nordestinos e "toda essa racinha de pobres que não tem o que fazer e vem pra cá".
Vocês podem pensar que se trata de um grupo à parte, um grupinho de imbecis que queimam mendigos para se divertir, filhinhos de papai que não sabem mais como fazer "up grade" de seus vídeos games, mas lhe digo que há 24 anos atrás, visitei São Paulo e saí de lá muito triste! Ouvi pela 1ª vez, na inocência dos meus 17 anos, que imbecilidade lá, ganha o apelido de "baianada". Nunca havia ouvido essa expressão e uma moça, amiga nossa, paulista, disse-me que isso era uma expressão comum dentre eles. Ao longo da triste semana que lá passei, sentindo um frio de lascar, morrendo de saudade do meu céu azul e sentindo medo do chamado "toque de recolher" por causa da alta poluição, ouvi inúmeras vezes, a dita expressão "baianada" ser despejada da boca de crianças, idosos, adultos, fazendo-me constatar que era realmente uma expressão comum, impensada, que ia passando de pai para filho o preconceito e a discriminação para com um povo, que descobri mais tarde, não ser apenas relacionada a baiano e sim a todo e qualquer nordestino.
Perdeu-se o respeito para com o ser humano, o próximo, a ponto de separá-los em classes sociais. Algumas cidades brasileiras têm mania de copiar o povo americano e o pior é que só copia o refugo, aquilo que não presta, como por exemplo, atiradores mirins de elite que levam armas para escola matando colegas e professores, adolescentes que matam pai e mãe para ficar com herança.
A brincadeira sobre a famosa "preguiça ou lentidão baiana", assim como existe o mito de que todo carioca é "malandro", todo mineiro é "come-quieto e calminho", que todo gaúcho é "gay", tornou-se caso de polícia onde grupos se reúnem para assassinar seus compatriotas por acharem que esses são de uma “ raça inferior”.
É triste, mas é a pura realidade, que pude, com o coração apertado e aos pulos, constatar na reportagem que eu via...
Licínia Carvalho
Licínia Ramizete
Enviado por Licínia Ramizete em 16/10/2007
Reeditado em 22/10/2007
Código do texto: T696170
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Licínia Ramizete
Salvador - Bahia - Brasil, 51 anos
20 textos (1649 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/10/17 05:03)
Licínia Ramizete