Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Quem fica parado é poste!

A sentença que lançamos sobre nós mesmos, em nossas escolhas ou silêncios, nem sempre é a mais acertada, ou a pior, ou a que melhor se encaixa e nos deixa mais feliz.
As vezes nos sentenciamos de maneira tão austera, que, o que era colorido, multifacetado e forte, torna-se tão somente uma tortura.
E essa tortura nos acompanha por anos, e com uma série de efeitos colaterais, como o desânimo, os vícios, a culpa, a depressão, etc.

Alguns sabem conscientemente quando proferiram a sentença e porque, outros, ainda que auto sentenciados, não sabem ao certo porque se condenaram, porém sentem a invisível presença da tortura.
A sentença nem sempre é condenatória, isso é fato, mas, por algum desses mistérios da natureza humana, somos inclinados ao julgamento e ao sentenciamento severo, como se fossemos criminosos.
Aprendemos que não devemos julgar para não sermos julgados, contudo a primeira pessoa que julgamos somos nós mesmos.
A auto crítica, a vigilância, o esmero, acabam se deformando e "procriando" torturas, que evoluem para fantasmas que atormentam nossa alma, muitas vezes por quase uma vida inteira.
Pesado não? Mas acontece.

Mas, e aí, dá prá fazer alguma coisa? E o quê?
Com certeza, dá prá fazer alguma ou muitas coisas, só não sei bem ao certo o quê. Como diz o Zé Carlos, meu amigo lá de Minas - "Cada quar é cada quar", ou seja ( o óbvio), o que funciona prá um não funciona para o outro.

Nesse processo, alguns correm porque dentre todos os benefícios que a corrida trás, suar é como expelir os fantasmas, outros expurgam escrevendo, outros ajudando voluntariamente alguma entidade assistencial, ou uma pessoa necessitada, alguns cantam, outros se alimentam com música, outros aprendem dançar, alguns mudam de emprego, outros aprendem a cozinhar muito bem, e tantos outros etc legais que temos por aí, basta estar conectado com suas dores e não parar. Fácil e bom mesmo seria se pudessemos simplesmente nos olhar profundamente no espelho e dizer: - Saí fantasma que esse corpo não te pertence!
Contudo se assim o fosse, não perceberíamos quantas coisas fantásticas e simples fizemos nesse meio tempo para compensarmos as dores de nosso(s) tormento(s).

Realmente, nada é totalmente ruim, a luz sempre aparece no fim do túnel, ainda que tênue.
Nos transformamos em borboletas, antes mesmo de sairmos do casulo de tormentos, e os nossos fantasmas vão gradualmente enfraquecendo.
O movimento é fundamental, é indispensável. Não dá prá ficar parado!
Como bem diz Zé Simão; - Quem fica parado é poste!
E ser poste e com fantasmas, ninguém merece!
Vanda Sales
Enviado por Vanda Sales em 16/10/2007
Reeditado em 11/01/2008
Código do texto: T696232

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Vanda Sales
São José dos Campos - São Paulo - Brasil
37 textos (7033 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 18/08/17 13:39)
Vanda Sales