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TEMPERAMENTO DE TIGRE

Tenho a paz que me basta, e que nada incutiu em mim. Nada e ninguém. Não a procurei nos ícones da humanidade carente de líderes e de um ser sobre todas as coisas, ao qual se chega exatamente por meio desses líderes e seus ensinamentos apaixonados. Minha paz não é de arroubos nem de esmorecimento ou entrega. Ela não leva ao espasmo nem à leseira, de modo a me deixar como quem sempre acaba de sofrer um exorcismo.
Vivo meus dramas e dilemas dentro de um conceito normal de realidade. Meu mundo é aqui, e meus olhos não buscam reinos além do horizonte. Jamais me ocultei na imagem de um livrador, de alguém que pudesse me guiar pelas “águas tranqüilas” ou “refrigerar minh´alma”. Sequer me entrego à agonia de uma luta eterna contra um inimigo invisível que só vive querendo sacanear o homem.
Sou feliz, dentro de meu contexto de felicidade. E nesse contexto, achar que sou feliz já é ser. Mas é uma felicidade que se nega a ser barulhenta, risonha e cantante. Ela não tem a obrigação de se expor ao mundo e ser atribuída ao mocinho da lenda universal, que a humanidade cultua como pessoa ou entidade superior de fato e direito. Choro às vezes, por estar triste, ou até infeliz, o que são intervalos que não descaracterizam a felicidade. O triste ou infeliz fica no campo do estar.
Seja como for, sou quem sou. O que sou. Pessoa livre para viver dentro do que arbitra. Sem escravidão ideológica, religiosa ou de qualquer outra natureza. Traço meu caminho sem temer castigos nem ambicionar prêmios conforme os méritos e deméritos estabelecidos pela superstição dos que não podem viver sem algemas. Vendas e aguilhões. Dando a tudo isto a velha versão do protecionismo ou do abandono de quem teria criado todas as coisas para ser eternamente adorado e servido.
Sobretudo, não me cabe a imagem de ovelha, porque ovelha é um animal estúpido; sem direção, tino e noção do perigo. Depende integralmente de quem a tanja e puxe com um cajado, para que não caia num abismo nem seja devorada por um inimigo natural, que ela nem percebe se aproximar. Minha humildade, se é que a tenho, é mais parecida com a do tigre: Observador, atento, combativo e guerreiro, conforme a realidade.
Demétrio Sena
Enviado por Demétrio Sena em 16/10/2007
Código do texto: T696352
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Demétrio Sena
Magé - Rio de Janeiro - Brasil, 56 anos
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Demétrio Sena