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Manicômio 
Rosa Pena 
para Valéria Tarelho
 
O poeta é um louco.
Ele consegue em versos colocar mar na Bolívia.
O poeta por vezes ri do moribundo e chora o nascimento do guri.
Usa capa no verão e calção no inverno. Solitário na multidão; acarinhado na solidão.
O cabelo do poeta é diferente. Nasce dentro da cabeça e não fora. Esses cabelos podem ser louros, morenos, naturais, porém em muitos momentos ficam encaracolados e tintos da cor do seu lirismo. Na ausência de versos fica careca.
O poeta não quer explicação para seus versos, muitos menos sermões para seus momentos de criação, assim como o louco sente sede dentro do açude. Afinal a secura é dele! O poeta é um eterno dividido. Abstêmio no escritório; bêbado na poesia. Tímido na vida; atrevido em seus versos .Um corajoso no papel. Não é mole fazer 
Striptease da alma.
O poeta é...
Errei no início. O poeta não é um louco.
Louco é quem quer explicar a poesia, quem quer decifrar a alma do trovador.
Está calor! Quem me empresta um cobertor?

(2003)
Rosa Pena
Enviado por Rosa Pena em 18/03/2005
Reeditado em 13/09/2014
Código do texto: T6974
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Rosa Pena
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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