Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

M E N S A G E M

 



O dinamismo nas expressões, quer escritas, quer orais, acompanham o desenrolar dos tempos. Sem regressarmos demais, em meados do século XIX, Jean-François Champollion, com minuciosos exames na pedra de Roseta, pôde decifrar os hieróglifos. Esta é uma prova das modificações que sempre ocorreram, pois, se precisou decifrar, é porque aquela escrita era diferente. É a Babel.
Não seria, portanto, no cancioneiro brasileiro que esses fenômenos não existiriam. O decorrer das décadas planta suas características pontuais por meio das descobertas, invenções e modismos. Observemos os primeiros versos da canção Mensagem, gravada nos anos cinqüenta, por Isaurinha Garcia: “Quando o carteiro chegou/ e o meu nome gritou/ com uma carta na mão/ ante surpresa tão rude/ não sei como pude/ chegar ao portão...” O carteiro gritando o nome do destinatário. A própria carta. A surpresa por receber uma correspondência. A ida ao portão. Quase todas essas ações soam como estranhas, hoje. Numa letra de uma canção da Jovem Guarda, encontramos: “Escrevo-te estas mal traçadas linhas, meu amor/ porque veio a saudade machucar meu coração/ espero que perdoes meus errinhos, por favor...”  Eram maneiras de comunicação que, atualmente, seriam substituídas pelo e.mail ou pelo torpedo de um celular.
Outro enfoque interessante encontramos nos ajustes de desavenças, de questões de honra, etc. Em 1545, no Concílio de Trento, a Igreja Católica proibiu os duelos, apesar desses persistirem até o século XX, mesmo proibidos em muitos países. Na Antigüidade o duelo judiciário, entre um acusador e um acusado, era admitido como prova jurídica. Hoje, cada país tem sua Constituição própria e seu Poder Judiciário. Ao menos nas democracias.
Nos primeiros exemplos, das letras de músicas, encontramos ações ultrapassadas. A seguir, nos deparamos com os duelos. Ações ultrapassadas e ações em desuso. Quando um grande empresário, quando um homem público, notadamente político eleito, abusa de atos ilegais, imorais e de desrespeito absoluto às leis, representativamente está ofendendo aos comuns; está esbofeteando faces que ainda primam pelo legal, pelo ordeiro. E qual mensagem poderíamos colher dessas atitudes? Ora, é cristalina a resposta: estão ultrapassadas as reações. O povo, num misto de inculto e plasmado, queda-se como velhas cartas, obsoletas e lerdas para alcançarem o seu destino. Assim observamos as maracutaias todas e reagimos igualmente lerdos e obsoletos, como a mandriar pelas estradas de um conformismo ignóbil, ou, em certos casos, quem sabe,  correlato. Poderíamos até duelar, não com floretes ou espadins, por proibidos, mas com a arma que mais atemoriza aqueles dois grupos: o voto e a recusa de adquirir produtos e serviços. Mas qual, no próximo pleito o canalha de hoje será ungido nas urnas. O falcatrua de agora verá, sorridente, seus produtos e serviços serem adquiridos por marionetes saídas de um Concílio, não o de Trento, mas de inação, plasmada na inércia.
“Quando o carteiro chegou, com mal traçadas linhas, e o meu nome gritou, não tive nenhuma dúvida: peguei meu espadim, por uma questão de honra, e fui à luta”. Reagi, entendendo a Mensagem. Basta de cordeirismo. Infrinjamos a lei, como eles o fazem. Peguemos nossos floretes e vençamos o bom duelo. Canalhas de todos os níveis, atenção: o espadim Título Eleitoral e o florete da Recusa de Aquisição de Produtos e Serviços Sujos terçarão em valorosos duelos para vos mostrar que os utópicos também esgrimam. Pois, nesta Mensagem chamada Brasil, retidão é utopia, como determina o dinamismo pontual do desenrolar dos tempos. É uma pena, mas é a Mensagem desta  Terra de Santa Cruz.
 
Cláudio Pinto de Sá
Enviado por Cláudio Pinto de Sá em 17/10/2007
Código do texto: T697472
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Cláudio Pinto de Sá
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 70 anos
163 textos (23647 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 20/10/17 12:39)
Cláudio Pinto de Sá