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Caçada a passarinhos


Tive vontade de escrever sobre uma passagem que tive por volta dos meus dezessete anos.Na época não havia a consciência sobre ecologia que temos hoje e a caça a passarinhos era um dos passatempos que tínhamos numa cidade pacata como era Jaú.
A verdade é que esta foi a única e mal sucedida oportunidade, como verão , que fiz este programa,tanto que tive que emprestar a espingardinha de chumbo de um colega (Molan). A aventura foi programada com mais quatro amigos da época: três irmãos, Cláudio, Roberto e Carlos Cunha e Zezo Dornellas. Este último, dizia-se conhecedor da região e nos indicou o local aonde faríamos a base da nossa expedição.A meta foi a mata do Amadeu, “mato do Madeu” como diziam na cidade. Logo de início pudemos perceber que o Dornellas nunca tinha entrado naquela mata, senão teria ido de botas cano alto e não de bermudas, o que o fez voltar todo arranhado.Era uma mata fechada como eu nunca havia visto onde diziam ter macacos e até onça. Chegamos a ver macacos, onças graças a Deus tiraram folga naquele dia. Não demorou muito para percebermos que começamos a andar em círculos dentro da mata. Para atrapalhar ainda mais, avia muitos buracos o que tornava ainda mais difícil a caminhada.Para nossa sorte n, já naquela época costumava-se queimar os canaviais para o corte da cana.Uma destas queimadas fazia um clarão no céu que nos permitiu ter uma orientação para sair da mata. Enfim, estávamos livres daquele mato amaldiçoado que tinha macacos, cobras e sabe-se lá mais o que, mas que não conhecia o que é passarinho. Passamos por tudo aquilo e passarinho mesmo nada.No caminho de volta, tivemos que atravessar o Rio Jaú a nado para encontrarmos a linha de trem da Companhia Paulista cujos trilhos nos levariam de volta a Jaú.Fizemos uma fila indiana a seguimos caminhando pelo acostamento da linha de trem e eu sendo o primeiro da fila.Há uma certa altura alguém me alertou “__ cuidado que mais a frente tem um pontilhão” (passagem sob os trilhos para passagem de carroças e animais).
Eu respondi brincando: - Quando eu sumir é porque chegou.Mal deu para terminar a frase.Levei um tombo de quase seis metros no qual poderia ter morrido.Na hora achei que tinha quebrado as pernas, mas por sorte foi só um braço e alguns dentes com o forte impacto do queixo no calçamento de terra e pedra batida.O maior impacto sobrou para a espingarda do Molan, que eu levava na mão direita e que ficou destroçada. Pedimos socorro numa casa de fazenda próxima.Lá, consegui transporte para a cidade. Em casa, é claro, estavam todos apreensivos, pois já era tarde da noite e eu não aparecia.Fui encontrar-me com o Papai e mamãe no pronto socorro do hospital São Judas Tadeu.
Assim foi que aconteceu um dos capítulos e uma das prova das mais memoráveis da minha adolescência.Na época Não fazia idéia que eu ainda iria passar por momentos ainda mais difíceis na vida e novamente precisaria da ajuda divina que sempre me acompanhou em todas as aventuras e desventuras da vida.

Lú,
23/06/2005
luiz peixoto
Enviado por luiz peixoto em 10/11/2005
Código do texto: T69822
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Sobre o autor
luiz peixoto
São José dos Campos - São Paulo - Brasil, 63 anos
26 textos (2004 leituras)
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luiz peixoto