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SAUDADES...

Confesso que estou com saudades. Não aquele sentimento que dói e que, por dentro, corrói. Uma saudade boa e contemplativa, aquela própria dos poetas. Sinto saudades do sol e de um azul celeste límpido, onde a imagem do cruzeiro resplandeça.

   Sinto falta daquelas belas tardes - de sol - e das sorveterias lotadas de pessoas. As mães limitando o número de bolas de sorvete dos filhos. Gritaria e confusão! Crianças correndo nas calçadas e os apaixonados andando de mãos dadas pelas ruas da nossa cidade.

Tenho saudades de ver os casais tomado o seu chopinho gelado na nossa Rua Coberta. Os planos dos namorados entre um gole e outro de mate no banco da praça. As pessoas com roupas mais soltas e coloridas. O sorriso típico do verão. As longas caminhadas nos parques. A cor dourada, característica da época. Saudades da vista do Vale do Quilombo sem as brumas que lhe retiram um tanto da sua força e grandeza.

Confesso que sinto falta de mais calor. De uma temperatura mais alta, mas sem ser abafado demais. Gostaria de poder aposentar, ao menos, por algumas semanas, o velho e bom guarda-chuva e a malha de todo o dia. Desligar a calefação da casa e nem sequer pensar em acender o fogo da lareira. A despedida do frio e da chuva que teimam em ficar...

E por que não pensar na praia? Ou no mar? Mergulhos e banhos - de sol. O bom milho cozido com bastante sal e margarina e um refri gelado para acompanhar. Sinto falta de poder lavar o carro. De tomar banho de chuveiro gelado. De poder passear à noite, sem nenhum agasalho e de ver a noite chegar lá pelas vinte e uma horas. Férias. Tenho saudades de poder andar de bicicleta e de dormir até mais tarde, de preferência, na segunda-feira...

O verão parece que nos contagia e anima. Todos saem de casa, pois a vida aflora. As pessoas saúdam a estação com sorrisos. É difícil quem resista a um banho de mar, piscina ou à brisa fresca do vento noturno. A natureza floresce em cores e frutos. E os dias ficam mais luminosos no céu e no rosto de cada um.

É verdade que nasci no frio, em julho. Gosto deste ar serrano, deste friozinho que encanta até o mais exigente dos turistas. A expectativa da neve a cada inverno. A cidade tem seu charme singular. Gramado é uma cidade única, é naturalmente européia. A gente quando sai daqui, fica louco para voltar. Palavra de poeta porto-alegrense.

Mas, sinto saudades... do sol, do calor, do último verão, da minha viagem ao nordeste. De passar um final de semana ao ar livre, de poder passear e andar de pedalinho sobre as águas do Lago Negro e de contemplar o parque florido com múltiplas hortênsias.

Sinto falta de poder ligar o ar-condicionado no frio e de deixar a janela aberta, mas sem insetos. De ver as roupas estendidas secando no varal ao sol. De contemplar o verde da Serra sem brumas nem chuvas. De dormir mais tarde, com apenas um lençol cobrindo o corpo. Ah, quantas saudades...

pássaro poeta
Enviado por pássaro poeta em 17/10/2007
Código do texto: T698758

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Sobre o autor
pássaro poeta
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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