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Sete Lagoas. Perguntas que não se calam.

 Sete Lagoas.
Perguntas que não se calam.


“Não tolero deslealdade e ingratidão”,  teria dito Fernando Collor ao seu irmão Pedro Collor quando este denunciou ao Brasil o esquema PC que consumia recursos públicos como se fosse esterco.
 “Não tolero deslealdade e ingratidão”, foi a frase do marido traficante contra a esposa que o denunciara depois de ver jovens e crianças se viciando por conta de um lucro fácil.
“Não tolero deslealdade e ingratidão”, reagiu indignada a cafetina denunciada por uma “madalena arrependida”,  por prostituir e traficar jovens adolescentes para o turismo sexual.
“Não tolero deslealdade e ingratidão”, foi a ultima palavra que um pai transtornado ouviu de um filho assaltante, depois de, cansado de adverti-lo, o entregou aos cuidados da justiça.
Esta é uma frase forte que tem significados variados dependendo do contexto em que é dita.  Nós temos em nossa cultura uma enorme dificuldade em separar  questões de negócios de questões de família e  amizade e isto é mais grave quando estes negócios envolvem dinheiro publico.
Muitas amizades se esvaem, muitas famílias se desintegram, muitas mães  e esposas passam os domingos visitando filhos ou maridos em presídios. Aquele pai que viu seu filho sendo preso por assalto vai passar o resto da vida se martirizando porque aliviou a sua barra, ainda criança ou adolescente, quando o mesmo cometeu os primeiros delitos.
A esposa que aceitou e encobriu os negócios escusos do marido agora amarga um dilema, diante da solidão, “porque não reagi enquanto havia tempo e não briguei e esperneei quando meu marido chegou com os primeiros resultados de assalto?”.
Vivemos uma sociedade doente moral e espiritualmente e esta doença é a mais grave porque ataca os nossos centros de discernimento e nossos valores humanos mais nobres. Temos pena do amigo corrupto e total desprezo quanto aos milhares de desconhecidos que passam desemprego e fome por causa da corrupção.
Outra coisa que nos causa asco é sem duvida a alcagüetagem e o denuncismo. Mas porque existe este mal  no mundo? . Porque duvidas não  resolvidas permanecem pairando como um odor pestilento, incomodando a todos e contaminando o ar. Como se desmoraliza um alcagüete?
Facilitando a abertura de provas e a conclusão das investigações.  Se alguém faz de tudo para prejudicar a instalação de processos de investigação de possíveis ilícitos, esta contabilidade não fechada deixa no ar perguntas que nunca se calam.
É apenas isto que a sociedade precisa, que se impute penas ou aos corruptos ou aos difamadores. Enquanto isto não acontece toda a sociedade permanece como suspeita numero um do crime não resolvido, por  ação, conivência, omissão ou  falsas denuncias.
Precisamos aprender a colocar respostas nas perguntas que nunca  se calam.  A cada i o seu devido pingo.

JOÃO DRUMMOND

João Drummond
Enviado por João Drummond em 18/10/2007
Código do texto: T699122
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Sobre o autor
João Drummond
Sete Lagoas - Minas Gerais - Brasil, 64 anos
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