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As aventuras de Salú - um exame complicado

Salú é desses tipos de pessoas que acredita saber de tudo.
Ele sempre tem uma opinião para dar sobre a política, religião, segurança pública, esportes e o diabo-a-quatro.
Nada faz mudar suas teorias; quando ele diz ta dito.
Pai de oito filhos; os criou com bastante sacrifício.
Acordava todos os dias antes das seis da manhã para ir em busca do alimento, afinal de contas não gostava de se ver como irresponsável.
Como muitos coroas, não gostava de ir ao médico.
Dizia que a doença aparece quando se vai em busca da saúde.
Com muito esforço, seus filhos conseguiram marcar um médico para ele.
Foi um Deus nos acuda!
O médico passou alguns exames de sangue, fezes e urina.
Comprou os coletores na farmácia um dia anterior, e à noite não teve outra conversa além de suas reclamações sobre o tempo perdido com o médico.
Acordou mais cedo, fez tudinho que o médico pediu. Abusou da esposa é claro, perguntando qual a quantidade que deveria colocar em cada coletor.
Um dos seus filhos havia dito a ele que as substâncias deveriam ser entregues a certo amigo que trabalhava no hospital perto de casa.
Só que o local é um complexo de hospitais onde tem atendimento de pessoas com doenças do pulmão, emergência, atendimento pediátrico, e outros.
Salú pegou os coletores com cuidado e colocou-os num saco de supermercado e saiu em passos bem calmos para não derramar as substâncias. De vez em quando ele cheirava o saco para ver se tinha vazado.
Na distração pegou a fila de emergência. Apesar de ser grande era muito rápida. Quando chegou a sua vez, ele pegou aquele saco e colocou no balcão e disse: vim dar entrada nesses exames. A funcionária gentilmente olhou para ele, percebendo que se tratava de um idoso, foi bastante educada informando-lhe que ali era um lugar que atendia acidentes, vítimas de atropelamento, tiros, dores crônicas etc. Não foi o bastante para convencê-lo, ele manteve-se firme no balcão dizendo que ali tinha alguém indicado pelo seu filho que o iria atender. Esta insistência demorou, até que ele se convenceu que ali não era o lugar certo. Desistiu completamente do exame e o jogou fora, na lata de lixo.
Ao sair do complexo hospitalar encontrou seu filho que o estava procurando para justamente orientá-lo a levar os coletores à pessoa certa. Só que ele contou o que fez com as substâncias.
Seu filho o pegou pelo braço e o levou em direção ao local onde estava a lata de lixo. Ao aproximarem-se da lata viram que estava vazia.
Perguntaram aos funcionários do hospital sobre o lixo daquela manhã, e eles disseram que o carro do lixo levou.
Ao verem o carro do lixo saindo na portaria do complexo hospitalar correram em direção à saída gritando para que o carro parasse.
Tarde de mais, o carro levou os coletores com as substâncias de Salú.
Chegando a sua casa, contou o fato com bastante indignação, naquele jogo de acusação contra seu filho e de seu filho contra ele, dando à história um tempero que só as aventuras de Salú dão.
Mário Natho
Enviado por Mário Natho em 18/10/2007
Reeditado em 28/10/2007
Código do texto: T699249
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Mário Natho
Salvador - Bahia - Brasil, 47 anos
90 textos (21774 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 17/10/17 02:41)
Mário Natho