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E-mail

Acreditei, e como acreditei... Pus muita fé.

Ta legal, eu sempre soube que era um

relacionamento virtual afinal estou há anos nessa coisa da net.

Mas era tão lindo e gostoso receber suas mensagens e mais os retornos à minhas mensagens com poemas, galanteios, elogios às coisas que escrevia e mandava.

Há vinte e tantos anos atrás, seriam cartas de amor, e não e-mail, ainda me lembro bem disso porque era comum procurar em papelarias folhas de papel e envelopes diferenciados e mesmo canetas perfumadas coisas que na época eram tremendas novidades tudo isso para enviar cartas ao meu amor (que acabou se tornando minha primeira esposa e mãe de meus quatro filhos).

Ridículas cartas de amor, como Fernando Pessoa descreve em seu poema. Mas ele lembra que só quem ama, permite-se ao ridículo e como me permiti e ainda me permito...

            Ame e dê vexame... E vexame pouco é bobagem. Então dei todos que tinha direito.

            Adorava receber:

            Desamada carente para:  Super_Apaixon@do

            E também escrevia muito para você, mandava torpedos em seu celular, ligava para o telefone fixo nas madrugadas ficava horas e ajudava a enriquecer a cia telefônica. Desnudei meu coração. Abri minha alma.

            Comecei a perceber o início do fim, quando seus torpedos começaram a escassear em meu celular, ligações suas não mais recebia, os e-mails ficaram esparsos. No início, eram seis, sete por dia.

            Passaram a chegar  apenas dois, pior um ou nenhum e-mail.

            Depois veio a fase do Cc.. com cópias

            Então, aquelas deliciosas palavras não eram só para mim. Declarações de amor não têm testemunhas. São secretas, íntimas, pessoais.

            Hoje sei tenho plena consciência de que não sou nada. Mas será que o fui algum dia?

            Virei um Cco...oculto, anônimo.

            Olhei-me no espelho. Seria parecido com um catálogo de endereços?

            Meu nome é agora é apenas: Undisclosed-Recipient.

            Seu nome ..ah! O seu virou Mail Delivery System.

            Sua caixa está sempre lotada nem sei se é só para mim, talvez tenha outro nick name outra caixa e de um outro alguém recebe o carinho que eu antes enviava.

            Assim como seu coração traiçoeiro. Lotou de tanto carinho que durante bom tempo eu dei.

            Assista a desconstrução de um homem apaixonado em crise.

            Paixão doida e doída do século XXI.

            Não vou dizer adeus sem mágoas.

            Dou um adeus, magoado sim.

            Desejarei a você minha ex-querida, uma péssima conexão, quedas repentinas, trovoadas perto de seu micro e até descargas que o façam queimar... Isto já é o bastante.

            Hoje, não se bate mais telefone na cara. Não se troca mais  de caminho na rua.

            Deleta-se.

            Bom, vou nessa. Bom dia! Boa semana! Boa década pra você.

            Seu Undisclosed.
Renato Zecca
Enviado por Renato Zecca em 18/10/2007
Código do texto: T700302

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Sobre o autor
Renato Zecca
São José dos Campos - São Paulo - Brasil
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Renato Zecca