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OBRA DE ARTE OU MATA FOME

Recentemente estive em São Paulo apenas para matar a saudade.
Depois de 30 anos , esta cidade que eu gosto muito, deixou de ser uma constante em minha vida,motivada por minha atividade profissional.Lá estava eu na Av. Ipiranga, quando por uma daquelas
coincidências inexplicáveis, acabei cruzando com dois antigos colegas
de profissão. Fui convidado por eles para que fossemos almocar
em um restaurante na Av. São Luiz, pois o mesmo estava aderindo a nova moda gastronómica, a novíssima cozinha francesa.Aceitei o convite, mas com um pé atrás, pois como conheco a "antiga" nouvelle
cuisine francais, imaginei o que me esperava.
Pois bem, lá chegando segui a sugestão do maitre. Meu pedido
era composto por 3 pratos, sendo o primeiro uma sopa de frutas vermelhas, o segundo um risoto de arroz negro, mignon de cordeiro,aspargos ao molho roti extraido da carne e banana da terra
e o terceiro a sobremesa, mousse de caju e caqui.
Para minha surpresa ao recebe-los , notei que os três pratos nada mais eram do que uma representacão artística que mesclava o surrealismo de Salvador Dalí, com as comidas a serem degustadas  mais parecendo aquelas apresentacões de abundante colorido que eram criadas pelo mestre catalão e  ainda contemplados, como moldura o fossem, por obras do grande mestre americano da arte abstrata, Pollock, com todo aqueles seus riscos e rabiscos, pingos e respingos e como gosto e até me arrisco na  pintura ,senti até pena em me alimentar daquelas obras-primas criadas a partir de molhos, temperos e ingredientes.Dalí e Pollock são para mim as maiores expressões da arte no seculo XX.
Mas e daí, como estava a comida em sí?Deliciosa e saborosa em sua consintência, mas insufíciente para alimentar dez , sim dez formigas, que vez ou outra aparecem em busca de acucar na cozinha de casa
Mais de noventa por cento de meu estomago estava a brigar como fanáticos revolucionários fossem depois de degusta-la, pois não receberam qualquer nutriente, pois como eu imaginava , a quantidade de alimentos é reduzidíssima , mesmo que meus olhos estivessem
hipnotizados pela beleza artistica dos pratos servidos.
Não via a hora de sair de lá rápidinho e procurar algo consistênte
para abrandar  a revolta deste meu orgão interno. Me despedi dos antigos colegas e como conheco bem a região, corri  para a Av. São João e quase na esquina com a Ipiranga, como miragem fosse pude ver
que um lugar que conhecia desde o final de minha adolecência e
inicio de minhas atividades profissionais ainda permanêcia lá como símbolo do chamado mata fome rápido.
Sim, era aquele boteco que serve não sei a quanto tempo um sanduba chamado churrasco grego. Delicioso , mas não tão saudável,mas, repíto, delicioso.
Não tive pena , nem dó de mim, fui lá e como um faminto que a dias
não sabia o que era comer algo, devorei em segundos não um , mas dois daqueles manahs inesquecíveis, acompanhos de um suco quase que congelado. Comi, não me arrependi. Deveria ter comido mais.
Saciei a fome de meu estomago, bem como a fome de minhas lembrancas . Ah! tudo isso custando quinze por cento daquilo que havia gasto a minutos atrás com a charmosa, decorativa. deliciosa,
mas insufíciênte em quantidade  da chamada novíssima cozinha francesa, que nada mais é que um filhote da nouvelle cuisene francais.
Se o sanduba churrasco grego mata a fome e é farto , a artistica comida francesa tambem deveria , pois não nos alimentamos com beleza e arte , e neste quesito até o churrasco grego tambem possui suas qualidades, basta vê-lo no recepiente em que é assado [rsssss].E olha que não estou falando em valores.
Enfim, entre os dois eu ficaria com os dois.Um, pela obra de arte deliciosa que é, o outro, por que mata fome.

MARVADO=201007


MARVADO
Enviado por MARVADO em 20/10/2007
Reeditado em 20/10/2007
Código do texto: T702396

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Sobre o autor
MARVADO
Americana - São Paulo - Brasil, 64 anos
69 textos (5410 leituras)
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