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Quem é essa menina?

O que os olhos não vêem, o coração não sente.

No sábado (20/10) visitei (voluntariamente) o lar de uma família de pouquíssimos recursos financeiros. Onde vivem a mãe com três filhas, uma de 12 anos, uma de 6 anos e outra de 3 anos de idade.

Num determinado momento depois de muita conversa, perguntei a menina de 6 anos. Você é feliz? Aquele rostinho lindo, com duas trancinhas no cabelo fino e vestidinho cor de rosa me respondeu – seguido de um abraço longo e forte – como um pedido de socorro, “eu sou feliz, mas sou carente”.

Meus olhos viram seu apelo infantil e meu coração... Ah! O meu coração partiu-se em vários pedaços por compreender todo o drama que aquela família vive.

Meus braços e meu peito abrigaram por alguns minutos de tempo aquele ser tão pequeno, tão indefeso e cheio de fantasias próprias da idade de menina. Pensei rapidamente no que dizer. Ofereci o calor e afeto sincero do meu abraço com todo meu pesar e silêncio. Até que o abraço terminou e nós combinamos das três passarem uma semana comigo, no mês de dezembro, nas férias escolares.

A mãe das meninas nada falou durante o tempo em que a filha ficou abraçada comigo, e antes deu ir embora ela disse aceitar o convite que fiz as suas filhas.

História real, de vidas socialmente desamparadas num Brasil de desiguais, de desrespeito, de contradições, de humilhação, de cinismo, de pouca solidariedade com a dor e as dificuldades do outro...

Como não dizer o que os olhos vêem e o coração sente? Quantas crianças no Brasil sentem sem nada dizer?

A pequena menina com sorriso alegre sente carência... De abrigo, de igualdade social, de comida, de educação adequada, de moradia descente, de cuidados médicos, de perspectiva de futuro, de esperança, de apoio emocional e moral. Com os olhos cheios de lágrimas expressou seu modo de ver o drama de sua vida com apenas seis anos de idade.

Como beber depois de sentir o amargo? Como mastigar depois de saber da forme? Como calar essa dor no peito? Como não ver toda essa força bruta? Como viver em silêncio se angústia atordoa? Como afastar de mim esse Cálice? Se o que atordoa o outro me põe cada vez mais atenta...

Brasil, até quando cenas assim? Brasil, olha suas crianças aí! Elas representarão o país num futuro próximo! Como? Em que condições? Destinos soltos e sem previdência... Por que é tem que ser assim?



Cássia Nascimento
Enviado por Cássia Nascimento em 22/10/2007
Reeditado em 23/10/2007
Código do texto: T704827
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Sobre a autora
Cássia Nascimento
São Paulo - São Paulo - Brasil
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