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O Inverno no Japão


Voltei de meu passeio matinal. Caminhei aleatoriamente pelas ruas, pelas quais eu sempre ando, mas me diverti e vivi dobrado nesse dia. Muita neve estava caindo. Flocos enormes deslizavam, aos milhares, num bailado compassado e suave enquanto eu ria.


Hoje ao acordar a minha filha caçula, que se preparava para ir á escola, me falou:

     - Otoo sam, kyo yoki ipae! (Senhor papai, hoje tem muita neve)

     - É, respondi sem dar valor á empolgação dela. Pois tinha acordado na madrugada, para ir ao banheiro, e visto a nevasca que estava caindo.

Tornei a dormir – na verdade cochilar – e quando as crianças tinham ido para á escola vi a Regina, minha mulher, pronta para sair! Perguntei pra ela:

     - Aonde você vai amor, com um tempo desses?

     - Fazer a minha caminhada, apesar de um tanto frio o dia está bastante bonito.

Levantei-me e lhe disse:

     - Péra um pouquinho que vou com você.

Coloquei correndo, sobre o pijama que eu usava, um casaco impermeável revestido de pele, botas para andar na neve e saímos a passear pela manhã. Foi um passeio maravilhoso!
Depois de caminharmos alguns quarteirões minha esposa tomou o caminho de casa de volta. Ao chegarmos á esquina dela, quando ela virou em sua direção, eu lhe falei:

     - Você já vai pra casa? Eu vou passear mais um pouco, depois te vejo.

Continuei a caminhada entre o branco puro que cobria as casas, as plantações e o asfalto em que eu pisava, por mais algumas horas, até me sentir esgotado e cheio de vida.
Eu a reencontrei – a vida - nesse passeio e continuo a vivê-la intensamente neste momento em que vejo os flocos brancos caindo, pela janela de minha casa, e em frente a meu computador escrevo este texto.

                                 O Inverno no Japão

Ah, que friozinho bom! Enquanto no Brasil faz frio nos meses de junho, julho e agosto, no Japão o frio vem em dezembro, janeiro e fevereiro. Se o frio rigoroso atinge só algumas regiões no sul do Brasil, no Japão praticamente neva em todo o arquipélago. Nessa época, os esportes de inverno é a sensação, como esquiar na neve e patinar no gelo.
Nas casas japonesas, estendem-se na sala grandes futons - acolchoados grossos de algodão -, sobre os quais se coloca um kotatsu - uma mesa baixa com um aquecedor embaixo do tampo e um edredom preso nas laterais. Confortável e quentinho, o kotatsu vira o centro da vida na casa: as pessoas comem, assistem TV e até dormem nele. Todo mundo bebe muito chá verde e come tangerina - uma das poucas frutas que dão no Japão no inverno que acrescenta vitamina C, importante numa época em que epidemias de gripe é comum.
No Brasil, frio é tempo de Festa Junina e quentão. No Japão, o prato mais popular no inverno é o lámen (fala-se ramen no Japão). Logo vem à mente aquele macarrão instantâneo que se vê na TV, que se faz com um pouco de água e um tempero que vem em saquinho. O lámen que se serve no Japão é mais variado e mais sofisticado do que aquele da TV. É servido com caldos de vários sabores e acompanhados de verduras, legumes, frango ou carne de porco, sendo sua versão mais completa chamada de champon. Trazido da China no século XVII, o lámen se incorporou à culinária japonesa aos poucos. O primeiro restaurante de lámen foi aberto em Tokyo em 1910. Após a Segunda Guerra, quando os americanos trouxeram ao Japão o conceito de fast-food, o lámen se popularizou quando a fábrica Nissin lançou em 1958 o primeiro macarrão instantâneo. Na década de 70, o lámen passou a ser fabricado também fora do Japão, tendo sido o Brasil um dos primeiros países a produzí-lo. Atualmente, o lámen está para o Japão tanto quanto o hamburguer com batata frita está para os Estados Unidos, sendo popular no meio da moçada por ser barato, muito gostoso e com inúmeros restaurantes espalhados pelo país.


CARLOS CUNHA o Poeta sem limites
Enviado por CARLOS CUNHA o Poeta sem limites em 23/10/2007
Reeditado em 18/11/2007
Código do texto: T706006

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Sobre o autor
CARLOS CUNHA o Poeta sem limites
Japão, 63 anos
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