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História sem Fim.

Tudo que ele mais queria na vida era conhecer o Egito. Na escola, ainda criança, ele não conseguia parar de desenhar pirâmides no seu caderno. Já um pouco mais velho, começou a se interessar pelas aulas de História. Não teve dúvidas ao escolher sua faculdade. Sua futura profissão seria historiador. Nas festas da faculdade, ia sempre vestido de faraó. Mesmo que não fossem festas à fantasia.

Essa loucura fazia com que ele não arrumasse namorada alguma. Isso porque, estava obcecado em conhecer uma garota chamada Cleópatra. E não havia mulher bonita que o fizesse mudar de idéia.

Aos poucos, essa obsessão começou a ganhar fama. De moleque zoado do colégio, ele se transformou no sonho de consumo de todas as garotas da faculdade. E das outras faculdades também. Sua condição de intocado era a fantasia perfeita para todas elas. Inclusive, dizem que uma das garotas chegou a mudar de nome só pra ver se o seduzia, mas não adiantou. Ele queria uma Cleópatra legítima.

Ele se formou. Foi considerado o melhor aluno de todos os tempos na faculdade. Era um gênio da história. Decidiu virar professor. Não pela vontade de passar seus conhecimentos para os outros, mas sim pela possibilidade de uma de suas alunas se chamar Cleópatra.

Depois de 6 anos lecionando, sua procura ainda não havia dado resultado. Porém, o que o deixava mais triste era o fato de não conseguir juntar dinheiro para sua sonhada viagem ao Egito. Definitivamente, ele precisava fazer alguma coisa. E rápido. Com aquele salário de professor, não daria para continuar.

Ele decidiu então, conhecer mulheres através da Internet. E ela não precisava mais se chamar Cleópatra, apenas ser rica. Ele havia decidido dar o golpe do baú. Começou a entrar em salas de bate-papo, sites de encontro, e nada de achar uma velha ricaça.

Foram mais de 2 anos de procura, até encontrar sua isca perfeita. Uma senhora de 78 anos, cheia da grana. Por sorte, ela era uma apaixonada por história. Conquistá-la havia sido muito fácil. No dia do grande encontro, ele caprichou no visual. Escolheu sua melhor fantasia de faraó, comprou flores e partiu em sua cruzada.

Chegando ao local combinado, avistou uma senhora sentada sozinha. Não teve dúvidas, era aquele o seu baú da felicidade. Era com ela que ele iria para o Egito. Ou melhor, com o dinheiro dela. Ele foi em sua direção, se apresentou, ofereceu flores. O coração da pobre velhinha disparou. Havia mais de 20 anos que ela não conhecia um rapaz. Ainda mais como ele, tão educado. Para ela, foi amor à primeira vista.

Imediatamente eles começaram a namorar. Com 2 meses de namoro, já estava de casamento marcado. Seria uma festa temática, egípcia, claro. Ele comprou uma fantasia de faraó especial para a ocasião e também uma de Cleópatra para ela. Mandou fazer convites com fios de ouro, preparou uma lista com mais de 1000 convidados. Apesar de ser um golpe do baú, era a chance de criar um Egito em São Paulo.

No dia do casório, ele estava radiante com sua roupa de faraó. Todos os preparativos estavam prontos. Fez seu último cocô antes de se transformar num homem casado, ligou para o motorista da carruagem que havia alugado e
Ricardo Polinesio
Enviado por Ricardo Polinesio em 23/10/2007
Código do texto: T706086

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Sobre o autor
Ricardo Polinesio
São Paulo - São Paulo - Brasil, 37 anos
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Ricardo Polinesio